
As vovós deixaram para trás a imagem clássica e se tornaram figuras ativas, afetuosas e essenciais no desenvolvimento emocional e social dos netos
Quando pensamos em avós, vem à mente aquela senhora de cabelos brancos, sentada no sofá, entretendo-se com um novelo de lã. Mas as novas gerações já têm outra imagem.
Hoje, essas mulheres ressignificaram seu papel: chegam aos 50, 60, 70 anos com energia, presença, amor e leveza.
Pesquisas recentes destacam como o envolvimento das avós pode proteger e favorecer o desenvolvimento infantil.
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Um estudo americano divulgado no PubMed PMC mostrou que a participação das avós reduz os impactos negativos de cenários difíceis: em crianças reativas ou com mães mais rígidas, a presença delas ajuda a preservar o desenvolvimento emocional e comportamental, ou seja, funciona como uma espécie de “amortecedor afetivo”.
Outro estudo publicado na Springer Nature reforça que crianças com avós próximos tendem a apresentar menos problemas emocionais, mais engajamento escolar e mais comportamentos pró-sociais em comparação com aquelas que têm pouca ou nenhuma convivência com os avós.
Quando o afeto fortalece avós e netos
Além do benefício para os pequenos, cuidar de netos também faz bem para as avós.
Um levantamento publicado na BioMed Central revelou que quem auxilia na criação dos netos tem 16% mais chances de relatar maior satisfação com a vida – um indicativo claro de que esse vínculo pode trazer propósito, energia e bem-estar.
Esse é o caso da Angélica de Marco, de Novo Hamburgo (RS). Aos 35 anos, viveu um reencontro com o afeto ao se tornar avó:

“Quando peguei aquele nenenzinho no colo, o sentimento foi de amor incondicional… Ser uma jovem avó me ensinou que amor não tem idade e que o colo de vó é sempre acolhedor.”
A disposição para brincar e acompanhar cada fase do neto Hunter reflete exatamente o vigor das avós modernas.
Em Chapecó (SC), Carla Hirsch, avó do Lucas, Davi e Luisa, diz que a experiência ressignificou sua vida:

“Ser avó ressignificou a essência mais genuína da vida. Leve como uma brisa de verão e ao mesmo tempo intensa como uma onda no mar. Meus netinhos são os amores da minha melhor versão.”
Inspirada pela mãe Iolanda, Carla reforça como o papel de avó também pode reconectar mulheres com suas próprias raízes afetivas.
Ser avó traz dose extra de motivação
Para Dete Zandavalli, também de Chapecó (SC), ser avó é como ganhar um presente extra da vida.

“É um plus que Deus nos dá. A gente se renova, porque ser vó não cansa. O amor pelos netos é diferente de tudo, é visceral, genuíno. Só amamos e pronto… Sabe aquela frase ‘eu morro por você’? Eu mudei para ‘eu vivo por você’.
Os netos transformaram a rotina dela em algo mais vivo e cheio de propósito. Os pequenos a motivam a cuidar mais de si para estar presente em cada fase.
“Eles me fazem querer estar bem, mudar a rotina para aproveitar cada riso, cada conquista. Olívia, Maria Alice e João Emílio são a continuidade dos meus filhos e da nossa história. É muita alegria, descobertas, choros, abraços, risadas. É o que torna a vida ainda mais bonita.”
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Para Nathalia Vieira, a chegada da Mallu não foi diferente, ilustrou uma grande transformação pessoal.

“Na vida, passamos por muitas versões: filha, amiga, irmã, esposa, mãe e em todas nos esforçamos para sermos melhores.”
Hoje, ela conta que vive a melhor de todas as versões: ser vovó.
“Tudo que vivi uso para ser a melhor vovó do mundo.”
O afeto que transforma gerações
O vínculo afetivo entre avós e netos encontra respaldo na Affection Exchange Theory (AET), desenvolvida pelo pesquisador Kory Floyd.
A teoria explica que expressar e receber afeto é um comportamento fundamental para a sobrevivência e bem-estar humano.
Abraços, palavras carinhosas e gestos de cuidado fortalecem os vínculos sociais, reduzem o estresse e promovem saúde emocional.
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No contexto entre avós e netos, a AET mostra como esse carinho mútuo fortalece a autoestima, a identidade afetiva e o senso de segurança das crianças, enquanto mantém as avós emocionalmente ativas, realizadas e conectadas.
O afeto trocado gera benefícios concretos para todos os envolvidos, transformando relações familiares em experiências de cuidado e alegria duradouras.




