
Comer com atenção plena pode reconectar mulheres ao próprio corpo, reduzir impulsos, melhorar a digestão e abrir caminho para escolhas mais conscientes no dia a dia.
A correria, as telas e a pressão por produtividade têm afastado muitas mulheres dos sinais mais básicos do próprio corpo, especialmente na hora de comer.
Na 13ª edição do Momento Magnólia, a nutricionista Larissa Fares, especialista em doenças crônicas e criadora do programa Elas+, trouxe uma reflexão sobre como o ato de comer pode voltar a ser uma experiência consciente, prazerosa e transformadora.
Segundo ela, não se trata apenas de emagrecer. É sobre retomar presença, perceber limites, reduzir estresse e reconstruir a relação com a comida sem culpa.
Comer devagar muda a relação com o corpo
Larissa explica que comer com mais calma pode, sim, ajudar no processo de emagrecimento — mas não porque diminui números na balança de forma imediata. A mudança começa quando a mulher recupera a ligação com sinais de fome e saciedade, muitas vezes ignorados pela pressa.
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Ela observa que o automático domina a rotina.
“A pessoa come tão rápido que só acha que deve parar quando já sente desconforto”, afirma.
Com atenção plena, a mulher volta a perceber texturas, sabores e preferências, reduzindo ansiedade e compulsões.
Segundo Larissa, os resultados aparecem na digestão, na sensação de estufamento, no refluxo e até na autoestima. Comer devagar, diz ela, “é um ato simples, mas totalmente transformador”.
A fome emocional e a perda de sensibilidade
No dia a dia, a fome física e a fome emocional se misturam. A primeira surge aos poucos, com sinais claros do corpo. Já a emocional aparece de forma repentina, tristeza, estresse, alegria, tensão pré-menstrual.
A correria agrava essa confusão, segundo a nutricionista.
“Perdemos a consciência dos sinais que o corpo sempre tenta nos dizer”, explica Larissa.
Dietas restritivas, pressa e distrações fazem com que muitas mulheres deixem de reconhecer quando já estão satisfeitas.
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Além disso, fatores hormonais e o estresse constante interferem na comunicação entre intestino e cérebro, o que dificulta ainda mais a percepção da saciedade.
As telas e o automático: por que estamos sempre com pressa
Larissa observa que a rotina acelerada afeta diretamente o comer consciente. O excesso de telas aumenta comparações, pressões e expectativas irreais. Somos cobradas o tempo todo para sermos mais produtivas e isso se reflete até no prato.
“Algo que deveria ser prazeroso acaba perdendo o significado”, explica ela.
O almoço vira um momento rápido, distraído, sem presença.
“Você nem vê, nem sente o sabor.”
A atenção plena propõe exatamente o contrário: desligar-se das distrações, imaginar que ali só existem você e seu prato, e viver aquela refeição como ela é — um momento de cuidado.
Pequenas ações que fazem diferença
Para quem quer começar hoje, Larissa ensina caminhos simples:
- evitar telas durante a refeição
- fazer uma pausa e respirar fundo antes de comer
- mastigar devagar e soltar o garfo entre as garfadas
- escolher uma refeição do dia para praticar presença
Essas práticas ativam a conexão entre corpo e mente, ajudam a reduzir impulsos, melhoram sinais de saciedade e trazem consciência mesmo sem mudanças imediatas na alimentação.
“Quando você vive aquele momento, tudo muda”, afirma.
O trabalho de Larissa com mulheres 30+
Larissa também compartilha a evolução do Elas+, programa nutricional que nasceu do desejo de orientar mulheres acima dos 30 anos, fase marcada por maior estresse, mudanças hormonais e uma rotina que exige cada vez mais.
Ela destaca que muitas delas chegam após anos de dietas restritivas, culpa e falta de acolhimento. Seu trabalho busca devolver autonomia, segurança e consciência alimentar, sempre a partir dos sinais do próprio corpo.




