Especialista em alimentos Marta Vieira destaca o que deve ser observado nas embalagens para garantir segurança, transparência e equilíbrio nas escolhas do dia a dia

Garantir que o alimento que chega à mesa seja seguro, de qualidade e dentro das normas sanitárias é o que move o trabalho da consultora em alimentos Marta Vieira.

Com experiência na área técnica e regulatória, ela atua ajudando empresas a seguirem boas práticas e a oferecerem produtos com mais credibilidade e transparência.

“Meu papel é garantir que os processos atendam à legislação e que a rotulagem seja mais clara para o consumidor. Isso reduz riscos de contaminação e orienta as empresas a oferecer produtos que entreguem não só sabor, mas também segurança”, explica.

O que observar primeiro no rótulo

Para Marta, a leitura deve começar pela lista de ingredientes.  Segundo a especialistas, lá mostra se o alimento é mais natural ou ultraprocessado.

“Quanto mais nomes estranhos aparecerem, mais distante ele tende a ser do natural, embora isso não signifique que seja necessariamente ruim. É ali que se revela a composição real do produto.”

Outro ponto importante é verificar a data de validade e as condições de armazenamento, que indicam até quando e como o produto pode ser consumido com segurança.

Atenção aos alergênicos e à tabela nutricional

Um dos itens obrigatórios e que merece atenção é a declaração de alergênicos, que mostra se o alimento contém ingredientes como glúten, leite, ovo, soja, amendoim ou outros dos 16 principais causadores de alergias alimentares.

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Na tabela nutricional, é importante observar o teor de açúcares, sódio, gorduras e fibras. Segundo Marta, esses nutrientes têm impacto direto na saúde dos ossos, da pressão arterial e até no metabolismo, aspectos que merecem mais cuidado, especialmente após os 40 anos.

Desconfie das porções muito pequenas

Outro alerta da consultora é sobre porções apresentadas de forma confusa.

“Às vezes o rótulo mostra que uma porção tem 200 calorias, mas o pacote todo tem o triplo. Quem consome tudo, sem perceber, está ingerindo 600 calorias.”

Além disso, Marta recomenda comparar a tabela nutricional com a lista de ingredientes. “Se a embalagem diz ‘baixo em açúcar’, mas o primeiro ingrediente listado é o próprio açúcar, existe uma contradição”, explica.

Treinar o olhar para fazer boas escolhas

Para desenvolver o hábito de ler rótulos com mais consciência, Marta sugere três passos simples: observar os ingredientes, conferir a validade e analisar a tabela nutricional.

 “Com o tempo, essa leitura se torna automática. Basta bater o olho para entender o que realmente está comprando.”

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Além das consultorias técnicas, Marta também oferece cursos, e-books e mentorias para empresas e profissionais do setor alimentício. O foco é transformar a legislação em orientações práticas e aplicáveis.

“O objetivo é garantir clareza, segurança e qualidade, sem burocracia e sem excesso de papelada. É fazer a norma funcionar na rotina”, resume.