Histórias reais de mulheres que mudaram de vida por amor e descobriram, entre estufas e canteiros floridos, uma nova forma de viver e trabalhar juntas.

Com rosas, kalanchoês, lírios e begônias, três casais mostram que as flores têm força para transformar relações – e até caminhos profissionais.

Johannes, Luciano e Anderson são produtores de flores em Holambra (SP) e Andradas (MG) e conquistaram mais do que companheiras: encontraram parceiras de vida que abriram mão das antigas carreiras para viver ao lado deles no campo.

Mais do que presentes, as flores se tornaram símbolo da união entre eles.

Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), o Dia dos Namorados representa 10% das vendas anuais do setor, com expectativa de crescimento entre 6% e 9% em relação ao ano passado.

Do bate-papo virtual para a vida no campo

A história de Elisabete Izidoro Kortstee começou com uma conexão lenta – literalmente. Nos tempos de internet discada, ela conheceu Johannes T. J. Kortstee em uma sala de bate-papo. Ela era a “raposinha”. Ele, o “boto cor-de-rosa”.

Elisabete, artista plástica e moradora de São Paulo, jamais imaginou viver entre flores. Mas tudo mudou quando viu Johannes chegar com uma caminhonete cheia de azaleias.

Aos poucos, foi se aproximando daquele universo até se mudar para Holambra, casar e transformar completamente seu dia a dia.

Hoje, ela usa a criatividade da arte para cuidar do marketing, das embalagens e do layout dos eventos do sítio da família. Também coordena os setores administrativos e financeiros. E mesmo depois de três filhos e muitos anos juntos, ainda recebe flores em datas especiais. Do marido e dos filhos.

Da agência bancária às estufas de kalanchoês

Ana Paula Rios conheceu Luciano quando ainda trabalhava como telefonista em uma agência do Banco do Brasil. Ele ligava para saber se os cheques haviam sido compensados. A voz chamou atenção, o olhar confirmou a conexão e, pouco tempo depois, os dois estavam juntos.

Em 2008, ela trocou o emprego estável para trabalhar com Luciano no sítio, onde hoje cultivam mini kalanchoês. A decisão foi corajosa. Ouviu alertas de que trabalhar com o marido poderia ser difícil, mas seguiu o coração.

Ana Paula cuida do financeiro, ajuda na produção, plantio e colheita. E, mesmo rodeada de flores, confessa que adora ganhar um vaso bem florido escolhido por ele. Luciano lembra:

“Eu sempre separo os mais bonitos para ela”.

Rosas, encontros e novos caminhos

Jéssica e Anderson Esperança são mais um casal que viu a vida mudar por causa das flores. Ela era vendedora na Cooperflora, em Holambra. Ele, produtor de rosas em Andradas (MG).

Durante anos se cruzaram sem se notar. Até que, em uma balada em Campinas, dançaram juntos ao som de Ai Se Eu Te Pego.

Vieram as conversas, os encontros e o namoro. Anos depois, Anderson a convidou para trabalhar com ele na gestão de vendas do sítio. Jéssica aceitou e, desde então, além de casados, compartilham os desafios do negócio.

Mesmo cercada de rosas, ela ainda se emociona ao receber um buquê feito pelas funcionárias com flores do próprio campo.

“Nunca perde a graça”, diz.