Especialistas alertam que o uso de chupetas por adultos pode ser reflexo de ansiedade, mas também pode ser uma forma de chamar atenção nas redes sociais

O uso de chupetas por adultos, fenômeno que ganhou destaque na China e se espalhou pelas redes sociais, tem despertado reflexões sobre ansiedade, regressão emocional e influência digital no comportamento humano.

A prática é apresentada como uma forma de aliviar estresse, melhorar a qualidade do sono e até ajudar na abstinência de nicotina.

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Para a psicanalista Andréa Ladislau, “assim como roer as unhas, fumar de forma demasiada e comer compulsivamente, chupar chupeta é um comportamento oral regressivo, um mecanismo de defesa que busca conforto psicológico”.

Segundo ela, a prática adulta remete à infância, período de segurança, proteção e ausência de responsabilidades, funcionando como um “autoacolhimento” diante de pressões diárias.

Popularização do hábito nas redes sociais

A psicóloga Maria Klien complementa a análise, destacando que a popularização do hábito nas redes sociais amplia sua adesão:

“Quando um comportamento viraliza, especialmente em plataformas que operam por estímulos visuais rápidos, a adesão pode ocorrer por imitação, sem avaliação crítica sobre riscos e benefícios. É preciso desenvolver consciência emocional para que escolhas não sejam guiadas apenas pelo imediatismo digital”.

Produzidas em silicone ou borracha, as “chupetas adultas” são vendidas em valores que vão de R$ 8 a R$ 350, dependendo do modelo. Muitos usuários relatam sensação de segurança, diminuição da ansiedade e auxílio na melhora do sono.

No entanto, tanto Andreá quanto Maria alertam que o objeto funciona apenas como paliativo: não atua sobre as causas da ansiedade e pode gerar dependência psicológica se usado de forma intensa ou compulsiva.

O papel das redes sociais na formação de padrões de comportamento

Especialistas recomendam atenção ao comportamento: quando o uso se torna frequente ou serve para escapar de situações emocionais desafiadoras, a terapia é indicada para compreender quais necessidades emocionais estão sendo preenchidas pelo hábito.

“A busca por objetos que remetem à infância pode funcionar como recurso de autorregulação emocional. Mas é fundamental fortalecer recursos internos mais maduros”, alerta Maria Klien.

O debate sobre as chupetas adultas vai além de uma tendência de moda e aponta para questões mais amplas: o papel das redes sociais na formação de padrões de comportamento, a necessidade de educação emocional e a importância de políticas de saúde mental que apoiem escolhas conscientes.

Busca por conforto ou apenas mais uma trend para ganhar likes?

Em um cenário digital onde tendências se espalham rapidamente, é essencial refletir sobre as motivações por trás de comportamentos como o uso de chupetas por adultos.

A busca por conforto emocional é legítima, mas é importante considerar alternativas mais saudáveis e conscientes, sem cair na armadilha de seguir modismos sem reflexão.

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A discussão sobre esse comportamento vai além de uma simples tendência e aponta para questões mais amplas: o impacto das redes sociais na formação de padrões de comportamento, a necessidade de educação emocional e a importância de políticas de saúde mental que apoiem escolhas conscientes.

À medida que a prática se expande, cresce também a reflexão sobre seus impactos, mostrando que o conforto momentâneo pode esconder a urgência de um cuidado mais profundo com a saúde emocional.