
Muitas mulheres descobrem o TDAH apenas após o diagnóstico dos filhos, reconhecendo sintomas, aspectos da própria história e rotina emocional
Para muitas mulheres, entender o próprio funcionamento mental só acontece tardiamente. É comum que o diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) apareça apenas quando um filho recebe avaliação, e a leitura sobre o transtorno soa como autobiografia.
Isso acontece porque, em meninas e mulheres, o TDAH costuma se manifestar de formas mais sutis e, por isso, passa anos despercebido.
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Quando o TDAH não parece TDAH
Segundo o psiquiatra Rafael Fabri, o comportamento hiperativo que costuma chamar atenção nos meninos aparece de modo diferente nas meninas. Em vez de agitação evidente, surgem sinais como:
- Devaneios constantes
- Sensibilidade emocional
- Perfeccionismo
- Exaustão por tentar manter controle de tudo
Essas características, somadas às demandas sociais impostas às mulheres, fazem com que muitas cresçam acreditando que são ansiosas, desorganizadas ou “sem disciplina”.
Na verdade, passaram boa parte da vida mascarando sintomas.
O cérebro e a sobrecarga emocional no TDAH em mulheres
Fabri explica que o cérebro com TDAH apresenta menor atividade no córtex pré-frontal — região responsável por foco e regulação emocional.
“Por isso, sentir-se facilmente sobrecarregada, irritada ou com grandes oscilações de humor é comum.”
Essa desregulação acaba confundida com outros quadros. Ele lembra que muitas mulheres recebem diagnósticos de ansiedade, depressão, transtorno bipolar ou até Transtorno de Personalidade Borderline (TPB).
O problema, segundo o psiquiatra, é que, quando o diagnóstico não corresponde ao quadro real, a pessoa tende a se culpar ainda mais.
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Os riscos de um diagnóstico equivocado
Receber um diagnóstico errado pode causar danos reais, já que a mulher passa a acreditar que “não está se esforçando o suficiente”. Em vez de acolhimento, surge mais autocobrança.
Fabri reforça que compreender a própria estrutura é parte essencial do processo: quando a mulher percebe que seu cérebro não está quebrado, apenas funciona de outra maneira, ela pode recuperar o próprio poder e reorganizar a vida com mais gentileza.
Quando o entendimento vira cuidado
Reconhecer o TDAH é abrir espaço para novas estratégias, limites mais claros e menos culpa. É também uma forma de transformar a relação consigo mesma e com as demandas do cotidiano.
“Para muitas mulheres, esse conhecimento chega como respiro depois de anos tentando corresponder às expectativas que nunca fizeram sentido.”
Se o tema faz parte da sua vida, vale buscar orientação profissional e acolhimento adequado. Como lembra o psiquiatra: “todo mundo junto, mente leve, vida forte”.




