Dermatologista Ana Maria Benvegnú alerta para os riscos da exposição solar, ainda mais com a chegada do verão, e reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce

Com a chegada do verão, cresce a atenção para os riscos da exposição solar e para a necessidade de prevenir o câncer de pele. A estação coincide com o Dezembro Laranja, campanha promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) que reforça a importância da fotoproteção e do diagnóstico precoce.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele é o tipo mais frequente no Brasil, representando cerca de 33% dos casos, com aproximadamente 185 mil novos diagnósticos por ano.

Em Santa Catarina, estado que lidera a taxa de incidência no país, a estimativa para o triênio 2023–2025 aponta 14.510 novos casos de câncer de pele não melanoma e 1.040 casos de melanoma. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES/SC) mostram que, em 2024, 302 pessoas morreram por câncer de pele no estado.

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A dermatologista Ana Maria Benvegnú reforça que a exposição intensa e acumulada ao sol é o principal fator de risco.

“Sem dúvida o principal fator de risco para o câncer da pele é a exposição à radiação ultravioleta do sol intensa e de forma cumulativa”, explica.

Pessoas com pele clara, histórico de queimaduras, antecedentes familiares, uso de câmeras de bronzeamento e imunossupressão também compõem o grupo mais vulnerável.

Protetor solar é prevenção diária

O uso diário de protetor solar segue como a medida mais eficaz para reduzir o risco da doença. Mesmo em dias nublados, cerca de 80% da radiação ultravioleta atravessa nuvens e vidros.

No verão, o cuidado deve ser reforçado com reaplicação a cada duas horas, especialmente após entrar na água, suar ou secar a pele.

“Durante o verão, o ideal é usar uma quantidade maior de protetor e associar chapéus, roupas com proteção ultravioleta e óculos escuros.”

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Para aproveitar a estação com segurança, a dermatologista recomenda evitar exposição entre 10h e 16h, usar FPS 50 ou mais com proteção UVA de amplo espectro, reaplicar ao longo do dia e manter hidratação adequada da pele e do corpo.

Dermatologista Ana Maria orienta sobre atenção aos sinais e ao diagnóstico precoce

A orientação é observar pintas e manchas usando o método ABCDE: assimetria, bordas irregulares, cores variadas, diâmetro acima de 6mm e evolução da lesão. Mudanças no formato ou cor, feridas que não cicatrizam e manchas escuras em locais como unhas e plantas dos pés requerem avaliação imediata.

“Qualquer mudança na pinta, ferida que não cicatriza ou surgimento de lesão após os 30 anos deve ser avaliado por um dermatologista.”

Ana Maria explica que os cânceres de pele se dividem em melanoma e não melanoma. O carcinoma basocelular é o mais comum e menos agressivo. O espinocelular pode evoluir localmente e apresentar risco de metástase.

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“O melanoma, embora menos frequente, é o mais agressivo, com alto risco de metástase e o diagnóstico é feito por avaliação clínica com dermatoscópio e, se necessário, biópsia”, destaca.

O tratamento varia conforme o tipo, incluindo cirurgia, cauterização com nitrogênio líquido, quimioterapia tópica, radioterapia ou imunoterapia em casos avançados.

Acompanhamento salva vidas

A rotina de consultas dermatológicas é fundamental para acompanhar pintas, orientar sobre fotoproteção e identificar alterações ainda em estágio inicial.

“O acompanhamento dermatológico vai muito além, é orientação, avaliação e cuidado individualizado”, conclui Ana Maria.