Mudanças hormonais, aumento da gordura abdominal e resistência à insulina exigem atenção redobrada das mulheres 40+

A diabetes, por si só, já é uma condição desafiadora. Quando combinada ao período da perimenopausa e menopausa, pode exigir ajustes no tratamento e uma atenção especial.

A queda hormonal característica dessa fase da vida agrava o quadro metabólico, aumenta o risco de resistência à insulina e dificulta o controle da glicemia.

A ginecologista e obstetra Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+, explica que o acompanhamento médico e as mudanças no estilo de vida são fundamentais para evitar complicações.

Com mais de 19 anos de experiência, ela atua na AME Clínica, em Porto Alegre (RS), com foco na prevenção e promoção de um envelhecimento saudável.

“Há uma tendência de piora do quadro glicêmico se não houver cuidados adequados com alimentação, atividade física e suplementação.”

Segundo a médica, que também é especialista em perimenopausa, menopausa, endometriose e síndrome dos ovários policísticos., o declínio do estradiol favorece o acúmulo de gordura abdominal, o que intensifica a resistência à insulina e pode acelerar a progressão para o diabetes tipo 2.

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O que ajuda juda no controle do diabetes na menopausa?

A médica Ana Maria recomenda o monitoramento frequente de exames como glicemia e insulina de jejum, hemoglobina glicada e, em alguns casos, a curva de insulina.

Ela também indica a avaliação da composição corporal por bioimpedância e a medição da circunferência abdominal, já que o aumento dessa medida é um importante marcador de risco metabólico.

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A alimentação com carga glicêmica baixa é essencial para evitar picos de insulina, que favorecem o acúmulo de gordura.

A prática regular de atividade física, especialmente musculação, é uma das estratégias mais eficazes para melhorar a sensibilidade à insulina.

“Quanto maior a massa muscular, melhor será o controle da glicemia.”

Qual a importância da reposição hormonal para mulheres com diabetes?

Outro ponto destacado pela especialista é o papel da reposição hormonal. Apesar dos mitos que ainda cercam o tema, a intervenção pode ser benéfica para mulheres com diabetes, desde que bem indicada e acompanhada.

“A ideia de que mulheres diabéticas não podem fazer reposição hormonal é equivocada. Com o uso de hormônios bioidênticos e protocolos seguros, é possível melhorar a composição corporal, reduzir o percentual de gordura e favorecer o controle glicêmico.”

Estudos recentes corroboram essa visão. Uma pesquisa publicada no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism aponta que a terapia hormonal pode melhorar a sensibilidade à insulina em mulheres na pós-menopausa, especialmente quando associada a mudanças no estilo de vida.

Além disso, nutrientes como vitamina D, zinco e magnésio têm papel relevante na ação da insulina e podem ser incluídos na rotina por meio de suplementação orientada.

Ana Maria Passos, reconhecida pela abordagem humanizada e atualizada, reforça que o autocuidado é essencial para atravessar essa fase com equilíbrio.

“Com orientação adequada, exames regulares e ajustes no estilo de vida, é possível viver a menopausa com saúde e qualidade de vida, mesmo para quem já convive com o diabetes.”