Lipedema, linfedema, trombose venosa profunda e varizes estão entre as condições vasculares mais comuns nas mulheres e muitas vezes passam anos sem diagnóstico correto

Por que tantas mulheres convivem durante anos com dor nas pernas, inchaço ou sensação constante de peso sem saber que podem estar diante de uma doença vascular?

No mês da Mulher, a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular chama atenção para um problema que ainda recebe pouca atenção. Doenças como lipedema, linfedema, trombose venosa profunda e varizes atingem mulheres em larga escala e, muitas vezes, permanecem sem diagnóstico por muito tempo.

::: Acompanhe >>> Por que a celulite parece piorar no verão

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, o angiologista e cirurgião vascular Edwaldo Joviliano, ampliar a informação sobre o tema é fundamental para que mais mulheres busquem avaliação médica.

“As doenças vasculares que acometem predominantemente as mulheres ainda são muito subdiagnosticadas no Brasil. A data é uma oportunidade importante para ampliar o debate e conscientizar a população sobre a necessidade de buscar acompanhamento especializado”, afirma.

O que é o lipedema e por que afeta principalmente mulheres

O lipedema é um distúrbio crônico do tecido adiposo que provoca o acúmulo desproporcional de gordura nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços. A condição costuma vir acompanhada de dor ao toque, sensação de peso nas pernas e facilidade para surgimento de hematomas.

Muitas mulheres passam anos acreditando que se trata apenas de excesso de peso ou falta de atividade física. Essa confusão com obesidade comum acaba atrasando o diagnóstico e o tratamento.

“A condição tem forte relação com variações hormonais, o que explica sua prevalência quase exclusiva entre mulheres. O diagnóstico é clínico e o tratamento envolve drenagem linfática, terapia compressiva, atividade física adaptada e, em casos mais avançados, procedimentos cirúrgicos como a lipoaspiração especializada.”

O linfedema é caracterizado pelo acúmulo de linfa nos tecidos, o que provoca inchaço crônico, geralmente nos braços ou nas pernas.

::: Veja também >>> Médica Ana Maria explica por que a menopausa tira o sono das mulheres

Entre as mulheres, uma das causas mais frequentes está associada ao tratamento do câncer de mama. A retirada de linfonodos durante a cirurgia pode comprometer a drenagem linfática do braço e levar ao surgimento do linfedema.

Além do impacto físico, a condição também afeta a autoestima e a qualidade de vida.

“O linfedema pode trazer repercussões importantes para o dia a dia das pacientes. Muitas mulheres enfrentam limitações nas atividades e mudanças na forma como percebem o próprio corpo”, explica Joviliano.

O tratamento costuma ser multidisciplinar e inclui fisioterapia especializada, drenagem linfática, uso de bandagens ou meias compressivas e cuidados com a pele para evitar infecções.

Coágulo nas veias pode levar a complicações graves

A trombose venosa profunda ocorre quando um coágulo se forma nas veias profundas, geralmente nas pernas. A condição pode evoluir para embolia pulmonar, uma complicação grave e potencialmente fatal.

As mulheres apresentam maior risco em determinados períodos da vida. O uso de anticoncepcionais hormonais combinados, a gravidez e o período pós-parto estão entre os fatores que aumentam a chance de desenvolvimento da doença.

“A trombose merece atenção porque os primeiros sinais podem parecer simples. Dor ou inchaço em uma das pernas muitas vezes é ignorado ou confundido com cansaço”, alerta o especialista.

O tratamento normalmente envolve o uso de medicamentos anticoagulantes. Em casos mais graves, pode ser necessária internação hospitalar.

A prevenção inclui manter hidratação adequada, evitar longos períodos sem movimentação e realizar avaliação médica antes de iniciar terapias hormonais.

Varizes são comum nas mulheres

As varizes estão entre as doenças vasculares mais conhecidas, mas ainda são frequentemente subestimadas.

Nos estágios iniciais, a condição pode causar sensação de peso, cansaço nas pernas e pequenos vasos aparentes. Com o avanço da doença, podem surgir dores, inchaço, alterações na pele e até úlceras venosas de difícil cicatrização.

“Quanto antes a doença é identificada, mais simples e eficaz tende a ser o tratamento. Em fases iniciais, procedimentos como escleroterapia e laser podem resolver o problema. Quando o diagnóstico acontece tardiamente, muitas vezes é necessário recorrer à cirurgia”, afirma o médico.

Prevenção e diagnóstico precoce

A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular reforça que a maioria das doenças vasculares pode ser controlada com bons resultados quando diagnosticada precocemente.

Por isso, a recomendação é que as mulheres procurem avaliação com angiologista ou cirurgião vascular, especialmente se houver histórico familiar de doenças venosas, uso de hormônios ou tratamentos oncológicos.

Reconhecer os sinais e buscar orientação médica pode fazer toda a diferença no tratamento e na qualidade de vida.