
Psicanalista Elainne Ourives relaciona ansiedade, esgotamento e estagnação emocional ao aumento da procura por autoterapia, autorregulação mental e práticas diárias de cuidado com a saúde emocional.
A sensação de cansaço constante, a dificuldade de concentração e a impressão de estar sempre correndo sem sair do lugar têm marcado a rotina de muitos adultos no início de 2026.
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o Brasil está entre os países com maior prevalência de transtornos de ansiedade, enquanto levantamentos recentes mostram que a maioria dos brasileiros relata sobrecarga emocional ligada ao trabalho, às finanças e aos relacionamentos.
Esse cenário ajuda a explicar o crescimento do interesse por práticas de autoterapia, técnicas de autorregulação emocional e métodos que prometem ajudar as pessoas a entender e reorganizar padrões mentais repetitivos.
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A psicanalista e pesquisadora Elainne Ourives, doutora em psicanálise e especialista em reprogramação mental, afirma que o estresse crônico reduz a capacidade de decisão, foco e criatividade.
“As pessoas se culpam por não conseguir mudar, mas muitas estão apenas repetindo programas emocionais que nunca foram revisados”, explica.
Segundo ela, a maior parte das decisões humanas ocorre de forma automática, influenciada por processos inconscientes formados ao longo da vida. Esses padrões costumam aparecer em áreas centrais da vida adulta, como dinheiro, carreira e relacionamentos.
“A pessoa trabalha muito, mas não prospera, entra em vínculos semelhantes, começa projetos e não termina. Isso não é falta de capacidade, é repetição inconsciente”, afirma.
Para Elainne, pequenas práticas diárias podem ajudar a reduzir a ansiedade, melhorar o foco e fortalecer a autorregulação emocional.
Cinco orientações para começar
1. Faça um diagnóstico honesto dos seus padrões emocionais
Identifique situações repetitivas que causam sofrimento e observe como você reage automaticamente a elas. Reconhecer esses padrões é o primeiro passo para interromper ciclos de reação.
2. Estabeleça uma rotina de micropráticas diárias
A constância é fundamental. Práticas curtas, feitas todos os dias, ajudam o cérebro a criar novas conexões e respostas emocionais.
3. Integre corpo e mente em momentos de relaxamento
Respiração, alongamento e pausas conscientes reduzem a resposta ao estresse e favorecem decisões mais claras.
4. Use âncoras mentais para reforçar objetivos
Palavras, frases ou imagens associadas a estados emocionais desejados ajudam a reforçar novos padrões ao longo do tempo.
5. Planeje metas realistas e revisite com frequência
Ajustar objetivos de acordo com seu momento emocional evita frustrações e reforça a sensação de progresso.
Para a especialista, o aumento do interesse por autoterapia mostra que a saúde mental começa a ser tratada como parte da rotina, ao lado do trabalho, das finanças e dos relacionamentos.
“Cuidar da mente não é luxo. É uma estratégia básica de saúde”, conclui.




