
Queda hormonal, perda muscular e sono ruim afetam o peso após os 40 anos. Nutricionista explica por que emagrecer fica mais desafiador e orienta estratégias seguras.
Emagrecer após a menopausa pode se tornar mais desafiador. Não é apenas impressão. O corpo feminino passa por mudanças hormonais que influenciam diretamente o metabolismo e a forma como a gordura é armazenada.
Esse cenário faz parte de um contexto maior. Segundo o Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, 62,6% dos adultos brasileiros têm excesso de peso e 25,7% já apresentam obesidade.
Entre as mulheres, a menopausa é uma fase em que o controle do peso exige mais atenção, não só pela rotina, mas pelas alterações biológicas próprias do período.
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De acordo com Fernanda Lopes, nutricionista da Six Clinic, clínica online voltada ao cuidado de pessoas com obesidade e sobrepeso, a queda do estrogênio tem papel central nesse processo.
“Esse hormônio ajuda a regular a distribuição de gordura e o gasto energético. Com a diminuição da produção natural do estrogênio, há desaceleração do metabolismo basal e alterações na forma como o corpo passa a armazenar gordura”, explica.
O que muda no corpo feminino na menopausa?
Além da oscilação hormonal, ocorre perda progressiva de massa muscular.
“A partir dos 40 anos já começamos a perder musculatura, e com a queda hormonal esse processo se acelera. Como o músculo é um dos tecidos que mais consome energia, sua redução faz com que o consumo energético em repouso também diminua”, afirma.
Com menos músculo, o corpo passa a gastar menos calorias. Ao mesmo tempo, a gordura tende a se concentrar mais na região abdominal, o que aumenta o risco metabólico.
O sono e o estresse também influenciam, segundo a nutricionista.
“Dormir mal desregula hormônios ligados à fome e à saciedade, como grelina e leptina, e o aumento do cortisol está associado ao acúmulo de gordura”, explica.
Dados do Vigitel 2025 mostram que 31,7% dos adultos relatam pelo menos um sintoma de insônia, com prevalência maior entre mulheres, 36,2%, do que entre homens, 26,2%. O descanso insuficiente impacta diretamente a regulação do peso.
Três dicas da nutricionais para acelerar o metabolismo
Diante dessas mudanças, a estratégia precisa ser ajustada. A especialista destaca três pontos importantes.
- Manter a musculatura ativa
“A perda muscular se acelera nesse estágio e isso influencia diretamente o gasto energético. Por isso, a ingestão adequada de proteínas ao longo do dia e a prática regular de exercícios de força são fundamentais”, orienta Fernanda.
Quanto mais preservada a musculatura, maior o consumo de energia, mesmo em repouso.
- Evitar dietas muito restritivas
“Muitas mulheres reduzem demais a alimentação quando percebem dificuldade para emagrecer, mas isso pode ter efeito contrário. Cortes muito agressivos contribuem para a perda muscular e o corpo responde economizando energia”, alerta.
A orientação é manter uma alimentação equilibrada, que preserve nutrientes e sustente o funcionamento do organismo.
- Buscar suporte profissional
Para a nutricionista, o corpo muda e o plano também precisa mudar.
“Após essa etapa, o emagrecimento tende a ser mais lento, e a frustração pode levar a decisões precipitadas. O suporte profissional permite ajustar a alimentação, monitorar a composição corporal e adaptar a estratégia conforme o organismo responde”, conclui.
Emagrecer na menopausa não é impossível. Mas exige compreensão das mudanças do corpo e escolhas mais conscientes.




