
Alterações hormonais, ansiedade e suor noturno interferem no descanso durante a menopausa. Especialista explica por que isso acontece e o que pode ajudar a recuperar noites tranquilas.
Dormir deveria ser um momento de descanso e recuperação do corpo. No entanto, para muitas mulheres, a chegada da menopausa transforma a noite em um período de interrupções, cansaço e dificuldade para voltar a dormir.
Segundo a Sociedade Brasileira de Climatério (Sobrac), até 60% das mulheres relatam insônia ou mudanças importantes no padrão de sono durante essa fase da vida. Despertares frequentes, sono leve e sensação de cansaço ao acordar são algumas das queixas mais comuns.
A ginecologista Ana Maria Passos explica que os problemas podem começar ainda na perimenopausa, fase que antecede a menopausa.
“O declínio hormonal, especialmente da progesterona, afeta diretamente o sono. As mulheres passam a ter um sono leve, não reparador, muitas vezes despertando no meio da madrugada”, afirma.
Além das alterações hormonais, fatores emocionais e sintomas físicos também interferem no descanso. Ansiedade, ondas de calor e suor noturno tornam a noite fragmentada e reduzem a qualidade do sono.
“A saúde começa por um sono de qualidade. A mulher que não dorme bem fica mais cansada, irritada e menos tolerante, além de ter maior risco de ganho de peso e problemas cardiovasculares”, alerta a médica.
Distúrbios do sono são comuns na menopausa
Estudos recentes mostram que essa dificuldade não é isolada. Uma meta-análise publicada em 2023 na revista científica Sleep and Breathing analisou dados de diversos países e identificou que a prevalência global de distúrbios do sono durante a menopausa chega a 54,7%.
Ou seja, mais da metade das mulheres nessa fase enfrenta algum tipo de dificuldade para dormir, como insônia, despertares noturnos ou sensação de sono não reparador.
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Outro estudo conduzido por pesquisadores da Harvard Medical School e publicado em 2024 na revista Frontiers in Sleep aponta que os distúrbios do sono em mulheres ainda são subdiagnosticados. Muitas pacientes convivem com o problema por anos antes de buscar ajuda médica.
Para Ana Maria Passos, é importante prestar atenção aos sinais.
“O momento certo de procurar ajuda é quando o sono deixa de ser reparador e começa a afetar a rotina. Se a mulher desperta várias vezes à noite, demora para dormir ou acorda cansada, é hora de buscar acompanhamento médico.”
Foco na saúde da mulher
A orientação faz parte do trabalho que a especialista desenvolve há quase duas décadas. Com mais de 19 anos de experiência como ginecologista e obstetra, Ana Maria Passos atua com foco na saúde da mulher e na promoção de um envelhecimento saudável. Ela atende na AME Clínica, em Porto Alegre, e acompanha mulheres em diferentes fases da vida.
Entre suas áreas de atuação estão perimenopausa, menopausa, endometriose, síndrome dos ovários policísticos e gestação.
A médica trabalha com uma abordagem atualizada que inclui reposição hormonal e suplementação, sempre com o objetivo de melhorar o bem-estar e a qualidade de vida das mulheres, especialmente após os 40 anos.
Pequenas mudanças podem ajudar a melhorar o sono
Algumas atitudes simples no dia a dia podem contribuir para noites mais tranquilas. A orientação é observar o próprio corpo e criar uma rotina que favoreça o descanso.
Faça você mesma:
- Converse com seu médico sobre reposição hormonal
- Teste suplementos como melatonina ou magnésio
- Pratique atividade física regularmente
- Crie um ritual de higiene do sono
- Experimente meditação ou respiração profunda
Mini desafios práticos
Hoje à noite
Desligue telas como celular e televisão 30 minutos antes de dormir.
Nesta semana
Inclua duas sessões de caminhada ou yoga na rotina.
Agora
Experimente cinco minutos de respiração profunda para desacelerar o corpo.



