
Tangriany Pompermayer Coelho compartilha sua experiência de nove dias em Portugal, revelando cultura, turismo, gastronomia e aprendizados sobre cooperativismo e empreendedorismo.
Por Tangriany Pompermayer Coelho, jornalista
Entre os dias 1º e 9 de agosto, participei da Missão Internacional Ocesc Portugal, que levou lideranças catarinenses a Lisboa para uma imersão de aprendizado, conexões e novas perspectivas.
Foram dias intensos, entre agendas técnicas e descobertas culturais, que me mostraram o quanto viajar pode transformar nossa forma de enxergar o mundo e também o Brasil.
Logo no início, chamou minha atenção o contraste cultural entre brasileiros e portugueses. Nós somos ágeis, comunicativos, cheios de simpatia.
Eles, mais reservados, preferem fazer uma coisa de cada vez — e bem feita. Essa diferença ficou clara em várias situações e me fez pensar: nossa espontaneidade pode ser vantagem, mas também desafio.
Ainda assim, quando se fala em cooperativismo, percebi o quanto o Brasil, especialmente Santa Catarina, tem a ensinar. Nossa história de imigração nos obrigou a cooperar para crescer, e isso se tornou uma força.
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Outra observação importante foi sobre a presença dos brasileiros em Portugal. Se antes a imagem estava ligada a imigrantes de baixa escolaridade, agora vemos empresários consolidados levando seus negócios para a Europa.
Durante a missão, encontrei brasileiros empreendendo em diferentes setores, desde rodadas de negócios até algo simples, como o açaí, que virou novidade em cidades portuguesas. Esse movimento está mudando a forma como somos vistos: há mais respeito e reconhecimento.

Portugal respira história e arte
Em termos de turismo, Portugal encanta. Lisboa tem algo que lembra Florianópolis: o mar, os barcos, a arquitetura açoriana. Mas o que realmente me marcou foi a riqueza da arte. Em igrejas, mosteiros, praças e até a Câmara Municipal (Prefeitura), cada detalhe é carregado de história.
Caminhar pelas ruas é como passear dentro de um livro vivo, onde a cultura se revela em cada parede e cada piso.
Entre os lugares que mais me impressionaram está Óbidos, uma vila medieval de ruas estreitas e cheias de encanto. Uma das igrejas do vilarejo virou livraria — um belo exemplo de como tradição e inovação podem andar juntas.
Outro ponto especial foi a visita a uma propriedade rural próxima de Lisboa. O produtor, que também é professor, cultiva oliveiras e produz azeite de oliva puríssimo. Curiosamente, ele não vende em Portugal, mesmo sendo o país um dos maiores produtores do mundo.
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Como o azeite de qualidade lá tem baixo valor agregado, ele só consegue comercializar fora: Estados Unidos, Índia e outros mercados. Não vende para os portugueses porque, dentro do país, seria considerado caro.
Ainda assim, decidiu manter a terra do avô, com oliveiras de mais de 2 mil anos, preservando a história da família.
Criou o rótulo “O Amor é Cego”, porque muitos disseram que o negócio seria inviável. Na degustação, percebi o diferencial: um azeite encorpado, com picância no final, que transforma o ato de provar em experiência.
Sabores que contam histórias
E, claro, falar de Portugal sem falar de comida é impossível. O bacalhau aparece em versões infinitas, sempre preparado com calma e sabor.
Os queijos surpreendem pela variedade, os vinhos e espumantes completam a mesa, e os doces são um capítulo à parte. Entre eles, o famoso pastel de Belém.
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Diferente do pastel de nata que conhecemos, ele só existe em Lisboa, em um único local. Cremoso, delicado e nada enjoativo, foi uma das experiências gastronômicas mais marcantes da viagem.
Viajar é sempre sobre viver encontros. Encontros com pessoas, com culturas e, principalmente, com nós mesmos.
Portugal me mostrou não apenas a beleza de um país cheio de história, mas também o quanto o cooperativismo, a força empreendedora e a identidade brasileira se destacam onde quer que estejamos.




