Aos 65 anos, Sueli Carabajal da Silva, palestrante e mentora, compartilha sua trajetória de recomeços, engajamento e acolhimento, mostrando como apoio, coragem e reconexão ajudam mulheres a retomarem protagonismo

Quando fala sobre si, Sueli Carabajal da Silva não começa pelos títulos, mas pela essência. “Costumo dizer que sou uma sobrevivente. Mãe, avó, esposa, escritora, palestrante e mentora de mulheres”, afirma.

Aos 65 anos, moradora de Camboriú (SC), ela construiu uma trajetória marcada por recomeços, envolvimento social e compromisso com outras mulheres. O entendimento de que sua história poderia inspirar veio com o tempo e com a escuta atenta do outro.

“Quando percebi o meu verdadeiro propósito. Um dia parei para pensar e vi tudo aquilo que havia construído, ou melhor, reconstruído”, conta.

O impacto ficou claro quando, ao compartilhar sua vivência com amigos em casa, percebeu o quanto sua história tocava as pessoas.

“A partir daí recebi o convite para ser coautora de um livro chamado ‘Mulheres Imparáveis’. Desde então, esse propósito só cresce.”

Antes de atuar como palestrante e mentora, Sueli teve uma longa trajetória profissional e comunitária. Trabalhou durante toda a vida na Celesc e, após a aposentadoria, passou a integrar grupos de apoio.

Iniciou sua atuação na Casa da Amizade de Chapecó e, após se mudar para Camboriú, ampliou ainda mais sua participação social. Passou a integrar o Rotary de Balneário Camboriú, envolveu-se em diversos projetos, representou a instituição em associações e assumiu a presidência do Rotary local.

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Esse engajamento abriu novas portas. Sueli foi candidata a vereadora em Camboriú, onde hoje atua como suplente, integrou a rede feminina de combate ao câncer do município e atualmente ocupa cargos importantes em conselhos e instituições.

É vice do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Balneário Camboriú, conselheira do Conselho da Mulher de Camboriú, presidente da Casa da Amizade de Balneário Camboriú e presidente da associação Razões para Recomeçar, instituição que acolhe mulheres vítimas de violência.

Quando a própria história se transforma em propósito

Ao olhar para essa jornada, ela aponta aprendizados que considera essenciais para mulheres que estão começando um processo de mudança.

“Precisamos buscar encorajamento para combater e enfrentar a cultura machista na qual estamos inseridas. As mulheres precisam acreditar que são, de fato, verdadeiramente capazes.”

No trabalho como mentora, Sueli percebe padrões claros nas buscas femininas. “Apoio, fortalecimento, encorajamento. Esperam encontrar alguém que lhes estenda a mão e não a solte mais”, resume.

Para ela, o afastamento de si mesma começa cedo.

“Desde que nascemos, somos condicionadas a ficar no nosso mundo. Um lugar fechado, cheio de regras que, em alguns casos, nos resumem a sermos somente mães e donas de casa, nos tornando, na maioria das vezes, mulheres invisíveis.”

É a partir dessa compreensão que ela enxerga o impacto da própria atuação.

“Consigo, por meio da minha história, mostrar que é possível, sim, ter uma vida plena e extraordinária. Através da minha mentoria, conduzo mulheres a se reconectarem consigo mesmas e a viverem uma vida esplêndida e próspera.”

Cuidar de outras mulheres, no entanto, exige também cuidado consigo. Sueli afirma que aprendeu a se colocar no centro da própria vida.

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“Aprendi a me dar o verdadeiro valor. Ser dona de mim e deixar entrar na minha vida somente aquelas pessoas que venham para somar. Aprendo muito com cada uma delas, mas não abro mão da minha própria existência.”

Mentoria, acolhimento e reconstrução de caminhos femininos

A presença e a verdade que carrega em suas palestras vêm da própria vivência. “Sem dúvida, a minha própria história fala por si. Serve de exemplo de validação daquilo que transbordo e levo para outras mulheres.”

Ela também utiliza ferramentas e dinâmicas para reforçar essa mensagem:

“Faço uso de ferramentas e dinâmicas que me ajudam a mostrar que é possível ter uma vida abundante.”

Para o futuro, Sueli planeja novos passos. Está escrevendo um livro com o próprio método e deseja ampliar o alcance do trabalho. “Quero ainda poder levar o meu trabalho para empresas e escolas, pois, infelizmente, as agressões contra mulheres ainda acontecem em todas as idades, e os números são alarmantes.”

Para ela, o caminho passa pelo diálogo. “Penso que, com diálogo, informação e educação, podemos, no futuro, colher bons frutos, com uma nova mentalidade da relação homem x mulher.”

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Ao falar diretamente com mulheres que estão iniciando o processo de voltar para si, Sueli deixa uma mensagem clara.

“Que toda mulher deve entender que ela é a verdadeira responsável pela vida que deseja levar, pois, sem dúvida, deve ter a certeza de que ela própria é a coisa mais importante para si mesma.”

E completa:
“Tudo na vida importa, mas a sua vida é a mais importante. Se ame, se valorize, se respeite, se permita.”