
Com humor, palavrão e muita verdade, Thais Cozzer transformou o Instagram em um espaço de acolhimento, conexão e empatia
Você já ouviu falar na Thais Cozzer? E no “chimarrão de vadia”? Se ainda não, então se prepara, porque essa mulher não veio ao mundo para passar batida — e muito menos para fingir que a vida é perfeita. Com mais de 42 mil seguidores no Instagram, Thais é esposa, mãe, dona de casa, produtora de conteúdo e dona de si.
Ela transformou o perfil do Insta em um espaço onde desabafos, comédia, conselhos, surtos e amor-próprio convivem — tudo com muito café (sem açúcar), chimarrão e receitas práticas.
“Eu mostro a vida real. Mostro ‘as brigas’ com as crianças, falando palavrão, rindo, surtando, mas também inspirando outras mulheres”, contou ao Minha Vida Magnólia entre um gole de café e um ajuste na câmera.
Thais virou referência na rede sem nem planejar. Começou como quem joga conversa fora e deu certo.
“Gosto de conversar e de mostrar tudo de um jeito bem natural. Percebi que as mulheres estavam cansadas de seguir gente que finge uma vida que não existe.”
Ela não entrega perfeição: entrega identificação. E talvez seja esse o segredo da conexão com tanta gente. Gente que comenta, manda mensagem — e recebe resposta. Uma por uma.
“Mando áudio, respondo. Faço questão. A pessoa parou o tempo dela pra falar comigo, então eu também vou dar atenção”, afirma.
Mesmo com parcerias pagas — afinal, boleto chega pra todo mundo — ela nunca perdeu de vista o propósito de ser real.
“Não cobro nada de quem me pede para divulgar uma ação social ou o doce que vende para pagar o aluguel. Isso é solidariedade, é pensar no outro.”
Thais está no Instagram com propósito e com verdade
E ela até já virou até álibi. “Teve uma vez que eu falei que estava trabalhando e não lavei a louça. Mandei as seguidoras dizerem pros maridos que estavam comigo numa live”, conta rindo. Assim, foi criando uma comunidade onde seguidora é tratada como amiga — ou, como ela diz, “best friend forebs”.
O ponto central do seu conteúdo é simples: fazer com que mulheres se sintam bem consigo mesmas. Com seus corpos, seus cabelos, seus silêncios e suas dores.

“Vejo muitas mulheres que não gostam da própria companhia, não gostam do que refletem. Isso me dói.”
Ela bate na tecla: a internet está cheia de vida fake. E isso cansa.
“As pessoas se frustram tentando ser o que veem na tela. Mas aquilo não existe. E isso destrói a autoestima de quem trabalha muito e não consegue alcançar aquele patamar de vida, que no fim é uma ilusão.”
Com humor que acolhe, vocabulário direto e escuta genuína, Thais virou uma espécie de anti-influencer — no melhor dos sentidos. Não dita moda, acolhe. Não impõe metas, convida à conversa. E, mesmo sem prometer, inspira.
::: Veja também >>> Késsy Flores ensina estratégias para equilibrar a vida pessoal e profissional
“Se eu puder fazer com que uma mulher se olhe no espelho e goste do que vê, já valeu. Porque o que destrói a gente é não se sentir suficiente.”
Ao rir de si mesma, Thais permite que outras mulheres façam o mesmo. E mais: promove uma reflexão sobre o que é ser mulher hoje — múltiplas, sobrecarregadas, mas potentes e corajosas.
“Quando uma mulher se vê representada, ela entende que não está sozinha. E isso, por si só, já é a minha recompensa.”
Thais é o tipo de mulher que a gente quer como vizinha, amiga, parceira de chimarrão. Porque ela não promete solução mágica. Mas oferece algo raro nas redes: companhia sincera.
Liberdade para existir como se é
Thais Cozzer é de Chapecó (SC), mas fala com mulheres de todo o Brasil. E faz isso sendo ela mesma. Com roupa amassada, cabelo preso, olheiras visíveis e texto afiado. Sua liberdade é inspiradora, não porque ela tenta ensinar algo, mas porque nos lembra que viver também é isso: se permitir.
O conteúdo de Thais nasce da rotina. Não tem roteiro. Ela grava lavando louça, fazendo almoço ou “batendo” roupa na máquina.
“É o que eu faço naquele momento”, resume. A vida comum virou palco para um discurso potente, que dá voz a sentimentos abafados — e também gera controvérsias.
Ao usar o termo “vadia” em expressões como “chimarrão de vadia” ou “pé-de-moleque de vadia”, ela conquistou fãs, mas também recebeu críticas.
::: Leia ainda >>> Você já praticou a escuta ativa? Thais Gonzales te ensina como
Thais explica que a intenção nunca foi ofender. O termo surgiu do desejo genuíno de fazer as coisas do jeito mais prático possível — ou de simplesmente não fazer nada.
“Procura no dicionário o que é vadio. Vai ver que significa quem gosta de ficar no ócio, de ter preguiça, de não fazer nada. E eu só queria ser vadia por inteiro, sabe? Quando é que esse dia vai chegar?”, provoca com seu humor característico.
Sobre os comentários negativos, ela é direta: “Meu conteúdo é pra quem gosta. Quem não gosta, pode procurar outra coisa na internet pra ver.”
Hoje, ela entende que o Instagram é dela — e que o que ela faz importa para muita gente.
“É a minha vida. Quem não quer, tem um botãozinho ali: não segue.”
Quanto às críticas? Se precisar, ela responde.
“Sou ótima na arte de ser boa, mas na arte de ser ruim, sou pior. Não pisa no meu calo.” Mas hoje, muitas vezes, ela só ri. E segue.
Thais Cozzer e a força de ser quem se é
Thais vive o que tantas mulheres vivem. Acorda cedo, resolve os problemas conforme eles explodem e ainda encontra tempo para criar conteúdo.
“Tem um boleto pra pagar, aperta aqui, aperta ali, não compra tal coisa, paga o boleto… e a vida segue.”
Mas por trás da força que transparece nos vídeos, existe também uma mulher vulnerável. “Tenho dificuldade com coisas que pra outras pessoas são simples. Não posso comer antes de uma gravação, porque passo mal”, conta. Mas ela insiste: “Vai do jeito que dá.”
Essa mistura de vulnerabilidade com coragem é o que move sua conexão com as seguidoras.
“Tem dias que recebo mensagens como: ‘Thais, tô em depressão. Tu é a minha alegria diária’. Ou: ‘Hoje, passei batom por tua causa. Me cuido mais depois que te conheci’.”
E isso, ela garante, é o que dá sentido ao seu trabalho na internet.
Respeito aos limites e a verdade
Nem sempre foi fácil expor a rotina. O marido é reservado, e os filhos adolescentes não gostam de aparecer. No começo, ouvia: “Tu não pode gravar com a cozinha assim!”. Mas Thais insistia: “A cozinha está assim porque é assim que a gente vive.”
Ela respeita os limites da família, mas não abre mão de mostrar a verdade. “Tem louça na pia, toalha jogada, adolescente gritando. Não é cenário, é vida acontecendo.”
Com o tempo, ela encontrou uma forma de fazer os vídeos sem expor a família e levar a mensagem que quer. Também fala sobre os desafios da maternidade.
“Não sou a mãe perfeita. Já chorei escondida no banheiro, já gritei quando não devia, já dormi sem dar boa noite. Mas tô aqui, todo dia, tentando de novo.”
Ao dividir falhas com leveza, Thais cria um espaço onde outras mães se sentem menos sozinhas.
O recado que ela deixa
Thais acredita que o esgotamento feminino vem da sobrecarga. As mulheres conquistaram espaço, mas continuam acumulando funções — e se culpando por não dar conta.
“Esquecemos da nossa feminilidade, da nossa alegria. Nos espelhamos em pessoas irreais, e isso nos enfraquece. Mas todo mundo tem força. Todo mundo tem uma energia linda. Não é minha. É de todas.”
A influência de Thais vai além do riso. Ela ensina a rir de si mesma, a desromantizar a rotina e a se cuidar dentro do possível. E mostra, acima de tudo, que ser mulher não precisa ser sinônimo de perfeição — basta ser de verdade.




