
Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset teve texto selecionado entre mais de 850 trabalhos e recebeu reconhecimento durante a Feira Internacional do Livro de Turim
A professora e escritora catarinense Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset recebeu reconhecimento internacional durante a Feira Internacional do Livro de Turim, na Itália, uma das mais importantes da Europa.
O ensaio “A leitura pode ser uma sentença de liberdade?” foi um dos vencedores da primeira edição do Prêmio Literário “Don Meco – Dietro le Sbarre”, promovido pelo Fórum do Terceiro Setor do Piemonte.
Inspirado no livro “Leitura e cárcere: (entre) linhas e grades, o leitor preso e a remição de pena”, publicado pela Editora Appris, o texto aborda a leitura como possibilidade de transformação dentro do sistema prisional. O ensaio da autora catarinense foi selecionado entre mais de 850 trabalhos inscritos de diferentes países.
A cerimônia de lançamento da coletânea “Dietro le Sbarre: racconti, poesie e saggi – raccolta di testi premiati”, que reúne os textos vencedores do concurso, aconteceu no dia 16 de maio, durante a programação oficial da Feira Internacional do Livro de Turim.
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O evento contou com autoridades italianas, representantes do terceiro setor, lideranças religiosas e autores premiados.
Durante a cerimônia, Rossaly foi uma das autoras homenageadas e a primeira a agradecer ao público presente.
“Com extrema honra e emoção recebo esse reconhecimento internacional como escritora, na Itália. Muito obrigada, Deus, por tantas bênçãos. Este momento aquece minha alma de felicidade, afinal, o abraço, o acolhimento do público e da crítica são alguns dos maiores reconhecimentos que uma autora pode receber. A palavra é gratidão”, afirmou.
Pesquisa nasceu dentro do sistema prisional

Resultado da pesquisa de doutorado desenvolvida pela autora na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o livro “Leitura e cárcere” propõe uma reflexão sobre desigualdade social, sistema de justiça e os sentidos da pena no Brasil contemporâneo.
A obra também reúne experiências vividas por Rossaly durante um projeto de extensão realizado ao longo de cinco anos no curso de Direito da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc). Durante esse período, ela coordenou atividades de leitura no Presídio Regional de Xanxerê, no Oeste catarinense.
A pesquisa ouviu detentos e registrou relatos sobre o impacto da leitura dentro do ambiente prisional. Segundo a autora, em muitos casos o acesso aos livros representou uma das poucas oportunidades de reflexão, aprendizado e reconstrução de perspectivas de vida.
“A remição de pena pela leitura surgiu também como resposta à ausência de oportunidades de trabalho e estudo dentro do sistema prisional. Muitas vezes, o livro foi o único recurso acessível para estimular reflexão, conhecimento e reconstrução de perspectivas de vida”, explicou Rossaly.
Entre os relatos reunidos pela pesquisadora estão histórias de presos que passaram a incentivar os filhos a ler e criaram o hábito da leitura dentro do cárcere.
Livro chegou ao Papa Leão XIV
O trabalho desenvolvido pela professora catarinense também chegou ao Vaticano. Em julho de 2025, um exemplar do livro “Leitura e cárcere” foi entregue ao Papa Leão 14 pelo arcebispo de Chapecó, Dom Odelir José Magri.
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Na ocasião, o pontífice também recebeu três cartas assinadas por 58 detentos do Presídio Regional de Xanxerê. Os documentos destacavam a importância da leitura no ambiente prisional e o trabalho realizado pela Pastoral Carcerária.
Além de marcar a premiação dos vencedores, o encontro em Turim também abriu oficialmente a segunda edição do Prêmio Literário “Don Meco – Dietro le Sbarre”.
Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset é doutora em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal da Fronteira Sul e professora de Língua Portuguesa na Unoesc e no Colégio La Salle, em Xanxerê. Também é autora do livro “Língua e Direito: uma relação de nunca acabar”.





