Número de mulheres à frente de negócios cresce, melhora renda e escolaridade, mas ainda enfrenta desigualdade salarial e menor presença no empreendedorismo nacional

O Brasil alcançou, em 2025, o maior número de mulheres à frente de negócios já registrado. São 10,4 milhões de empreendedoras, resultado de um crescimento de 27% nos últimos dez anos. O avanço supera o ritmo masculino no mesmo período e mostra uma mudança consistente no perfil de quem empreende no país.

Os dados são de um levantamento do Sebrae Nacional, com base na PNAD Contínua. O estudo indica que as mulheres ampliaram presença, qualificação e renda, mesmo diante de desafios que ainda persistem.

Crescimento acima da média masculina

O aumento do empreendedorismo feminino foi 16 pontos percentuais maior do que o observado entre homens. Em uma década, o número de homens donos de negócio cresceu cerca de 11%, chegando a 19,9 milhões.

O dado mostra que mais mulheres estão encontrando no próprio negócio uma forma de geração de renda, autonomia e reorganização da vida profissional.

Mais estudo, mais preparo

Além do crescimento em número, o perfil das empreendedoras mudou. Houve aumento expressivo na escolaridade. Entre 2012 e 2025, cresceu a presença de mulheres com ensino superior ou mais, enquanto caiu o número daquelas com menor nível de instrução.

Hoje, há uma proporção maior de mulheres mais qualificadas do que homens entre os donos de negócio. Esse movimento indica uma entrada mais preparada no mercado e com maior potencial de gestão.

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Renda cresce, mas diferença continua

O rendimento médio das mulheres empreendedoras chegou a R$ 2.929,94 em 2025, o melhor resultado da série histórica. Mesmo assim, ainda está abaixo da média masculina, que é de R$ 3.864,12.

A diferença salarial, hoje em 24%, diminuiu ao longo dos anos. Entre 2012 e 2025, a redução foi de 9,5 pontos percentuais.

O cenário mostra avanço, mas também reforça a necessidade de equilíbrio nas oportunidades e nos ganhos.

Mais formalização e contribuição

As mulheres também aparecem com maior presença em indicadores de organização financeira. Entre as donas de negócio, 43% contribuem para a previdência, contra 39% dos homens.

Na formalização, 37% das empreendedoras têm CNPJ, percentual superior ao masculino. Isso indica uma busca maior por estabilidade e segurança no longo prazo.

Faixa etária que concentra o empreendedorismo

Mais da metade das mulheres empreendedoras está entre 30 e 49 anos. Essa fase concentra 51,3% dos negócios liderados por elas.

É um período marcado por decisões importantes, reorganização de carreira e busca por renda mais alinhada à rotina e aos projetos de vida.

Desigualdade ainda limita o avanço

Apesar do crescimento, as mulheres ainda são minoria entre os donos de negócio. Elas representam 51,8% da população em idade ativa, mas apenas 34,3% dos empreendedores.

A taxa de empreendedorismo também é menor. Entre mulheres, chega a 11,5%. Entre homens, é de 23,6%.

Os dados mostram que ainda existem barreiras que dificultam a entrada e a permanência feminina no empreendedorismo.

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Acesso a crédito e apoio

Iniciativas de apoio têm ampliado oportunidades. Programas como o Fampe Mulher, do Sebrae Nacional, facilitaram o acesso ao crédito para negócios liderados por mulheres.

Em 2025, foram R$ 734 milhões liberados. O incentivo contribui para que mais mulheres consigam estruturar e expandir seus negócios.

O avanço do empreendedorismo feminino no Brasil já é visível nos números. O próximo passo passa por reduzir desigualdades e ampliar as condições para que mais mulheres possam empreender com segurança, renda e continuidade.