Eliane Mirandolli analisa desafios culturais, financeiros e emocionais da mulher empresária no interior catarinense e apresenta caminhos reais para crescimento sustentável

O crescimento do empreendedorismo feminino no interior de Santa Catarina é O empreendedorismo feminino avança no interior de Santa Catarina, mas ainda carrega desafios silenciosos que fazem parte da rotina de muitas mulheres.

A busca por equilíbrio entre empresa, família e vida pessoal segue sendo uma das maiores pressões, somada a barreiras culturais, financeiras e estruturais.

Dados do Sebrae mostram que cerca de um terço das empresas brasileiras já são gerenciadas por mulheres. Em Santa Catarina, esse protagonismo é ainda maior, com 61,5% dos MEIs liderados por mulheres, acima da média nacional.

Na prática, porém, os números não mostram toda a complexidade da jornada. Empreender exige cuidar da produção, execução, logística, faturamento, burocracia e estratégia. E, ao mesmo tempo, muitas mulheres ainda lidam com a sensação constante de estar devendo na vida pessoal ou profissional.

Essa é uma realidade observada diariamente por Eliane Mirandolli, contadora, empresária e mentora que atua diretamente com empreendedoras da região Oeste.

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Cultura regional ainda influencia o ambiente de negócios

Em cidades como Chapecó e Xanxerê, o empreendedorismo convive com valores tradicionais e forte presença do agronegócio. Nesse cenário, muitas mulheres ainda sentem que precisam provar competência continuamente.

Ao mesmo tempo, cresce a presença feminina em núcleos empresariais, grupos de desenvolvimento e associativismo. Esse movimento tem ampliado o espaço das mulheres em decisões econômicas relevantes.

Eliane, que já coordenou o Núcleo da Mulher Empresária de Xanxerê e hoje coordena o Núcleo Multissetorial, acompanha esse avanço de perto e observa uma mudança clara na participação feminina nos espaços de liderança.

Sustentabilidade exige equilíbrio financeiro emocional

Na análise dela, a sustentabilidade dos negócios femininos passa por pilares técnicos e comportamentais.

No financeiro, os pontos mais críticos costumam ser:

  • Planejamento
  • Informalidade
  • Desconhecimento de leis

No emocional, aparecem com frequência:

  • Sentimento de solidão e medo do fracasso
  • Dificuldade de sair da operação e assumir papel estratégico
  • Conflito entre família, filhos e trabalho

Com formação em Finanças Comportamentais e atuação prática no atendimento a empresas, Eliane reforça que muitos negócios não quebram apenas por falta de faturamento. O desgaste emocional influencia diretamente a tomada de decisão.

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Empreender por necessidade ainda é realidade

Muitas mulheres iniciam negócios buscando flexibilidade de tempo, principalmente após a maternidade, ou por necessidade de gerar renda.

Nesse início, surgem riscos comuns:

  • Falta de organização financeira
  • Ausência de ciclo financeiro sustentável
  • Dificuldade de definir modelo de negócio
  • Acúmulo de funções operacionais

Ela define esse momento como um ciclo de esforço constante com pouco avanço estratégico.

Na atuação como mentora no projeto Onda Mentoria e também no ambiente de incubação empresarial ligado à Unoesc, Eliane costuma reforçar que todo negócio nasce pequeno e exige testes, erros, ajustes e constância.

Ela resume esse conceito com uma frase que repete para empreendedoras: por trás de um CNPJ forte, precisa existir um CPF estruturado.

Rede de apoio acelera maturidade empresarial

Networking, mentorias e associativismo fazem diferença real na evolução dos negócios.

A troca de experiências amplia visão de mercado e ajuda a empreendedora a estruturar produtos e serviços alinhados à própria essência e ao público.

Na prática empresarial, à frente do Grupo Pharus, empresa de contabilidade e educação corporativa, Eliane observa que a virada de chave acontece quando a empresária passa a pensar no médio e longo prazo.

Outro ponto decisivo é entender que faturamento não significa lucro.

Autoconhecimento também impacta o financeiro

Após anos atendendo diferentes perfis de empreendedoras, ela observa que a saúde financeira do negócio reflete o comportamento da gestora.

Entre as orientações mais recorrentes:

  • Separar contas pessoais e empresariais
  • Acompanhar faturamento, lucro e ciclo financeiro
  • Planejar metas trimestrais
  • Buscar capacitação constante

Ela também faz um alerta direto: decisões estratégicas não devem ser tomadas no calor da emoção. Empresa exige análise, dados e racionalidade.

Outro ponto que ela destaca é o autoconhecimento feminino, incluindo compreensão dos ciclos emocionais e hormonais como parte da gestão pessoal e profissional.

O interior vive crescimento consistente do empreendedorismo feminino

O avanço também aparece em dados públicos. Informações divulgadas pela Prefeitura de Chapecó apontam aumento de 213% no número de mulheres abrindo empresas nos últimos anos, com base em dados do Sebrae/SC.

Programas de incentivo, núcleos empresariais e grupos independentes vêm fortalecendo esse ecossistema.

O desafio agora é crescer e prosperar

Apesar do avanço, ainda existem lacunas importantes:

  • Maior divulgação de linhas de crédito voltadas para mulheres
  • Ampliação de editais e incentivos
  • Políticas públicas e privadas mais objetivas
  • Fortalecimento de redes de apoio emocional

Para Eliane, o próximo passo não é apenas incentivar a abertura de empresas. É garantir que esses negócios cresçam, se consolidem e prosperem no longo prazo.

Além da atuação técnica e empresarial, ela também carrega papéis pessoais que ajudam a construir sua visão prática sobre empreendedorismo feminino: é mãe, esposa e cristã, e defende um posicionamento realista sobre a vida e os negócios no interior.

Em uma região marcada por forte empreendedorismo e valores tradicionais, ela acredita que o crescimento feminino passa por preparo técnico, rede de apoio e fortalecimento emocional.