Com base na própria dor, a farmacêutica Valéria Furini lançou uma linha de produtos para mulheres e construiu um negócio com conexão e propósito

A farmacêutica Valéria Furini não imaginava que uma depressão pós-parto daria origem a um dos projetos mais significativos da vida dela.

Foi no meio da “confusão emocional” após o nascimento do filho, em 2018, que ela sentiu a necessidade de reencontrar a própria identidade e encontrou uma missão: cuidar de outras mulheres por meio da saúde e do acolhimento.

“Eu me autoabandonei como mulher. Não me reconhecia mais. Sabia que precisava de algo que me colocasse de pé de novo, mas que fosse natural e verdadeiro.”

Foi assim que nasceu o primeiro produto da Eleva O Rosa, uma marca que carrega no nome o propósito de elevar o bem-estar feminino.

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O suplemento Rosa Intense, lançado em 2019, foi pensado para melhorar energia, libido e disposição. O produto rapidamente se tornou sucesso de vendas e deu início a uma trajetória empreendedora com base no conhecimento técnico e na escuta sensível das necessidades femininas.

Saúde que entende a rotina da mulher

A linha da Eleva O Rosa cresceu com o tempo. Hoje, são 16 produtos desenvolvidos com base em evidência científica e testados pela própria Valéria.

“Na Eleva O Rosa, os produtos são criados com base em experiências reais.”

Segundo Valéria, a marca oferece soluções para saúde íntima, TPM, menopausa, saúde mental, sono, imunidade, digestão, cabelo, pele, unhas e até para dor crônica.

Atendimento humanizado e conexão com o cliente

Valéria faz questão de manter o atendimento próximo e humanizado. As vendas são feitas pelo WhatsApp, com suporte real — sem robôs.

“Vendemos saúde. E saúde precisa de escuta, de orientação, de conversa. Por isso, preferimos o atendimento direto com gente de verdade.”

Muitas clientes procuram a Eleva O Rosa com diversas queixas, e a equipe orienta com base em idade, sintomas e estilo de vida.

“Não vendemos milagre. Vendemos cuidado com responsabilidade.”

Além da fórmula: um estilo de vida

A empresária também compartilha a história pessoal dela com as clientes. Em 2020, durante a pandemia, emagreceu 35 kg com reeducação alimentar e atividade física.

Essa experiência reforçou o compromisso da marca com o bem-estar de forma integral:

“Não adianta tomar suplemento e continuar com hábitos que adoecem. A mudança precisa ser de dentro pra fora.”

Esse cuidado e orientações também estão no Instagram da marca. Os conteúdos vão além dos produtos. Valéria fala sobre autocuidado, força feminina, e a realidade da mulher multitarefas.

Valéria Furini empreende com propósito e pés no chão

Formada em Farmácia, Valéria aprendeu na prática o que a faculdade não ensina: gestão, vendas e liderança. O primeiro negócio fracassou, mas serviu de base para o crescimento da Eleva O Rosa.

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Hoje, ela cuida de tudo — do desenvolvimento das fórmulas até os custos e lançamentos.

“Já errei muito, mas hoje os erros são mais conscientes. Eu aprendi a planejar antes de agir. A parte burocrática não é minha favorita, mas é essencial para o negócio andar.”

A empresa cresceu durante a pandemia e hoje atende todo o Brasil, com frete grátis e foco no cuidado com o público feminino. Valéria trabalha concilia a rotina com o filho de 7 anos e diz que não acredita em equilíbrio, e sim em prioridades:

“Tem dias em que tudo flui. Tem dias em que não. Mas eu sou grata por ter estruturado minha vida em torno da minha missão.”

Coragem, fé e verdade: o caminho de quem faz acontecer

Valéria se define em três palavras: coragem, fé e verdade.

“Tenho poucas pessoas à minha volta, mas quem está comigo sabe que pode contar comigo. Já enfrentei muita coisa difícil.”

É essa firmeza que ela leva para os negócios e também para quem está começando.

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Para mulheres que sonham empreender, mas sentem medo, ela é direta: comece por algo que você conhece.

“Pergunte a si mesma: eu sei fazer esse produto ou serviço? Então vá.” E completa: “Troque o medo por coragem. Medo paralisa. Coragem move.”

Ela costuma lembrar da história do sapo surdo, aquele que foi o único a alcançar o topo porque não ouviu os gritos de desânimo da plateia.

“Muitas vezes, quem mais nos desencoraja está bem perto. É preciso acreditar em si.”

E quando olha para o futuro, Valéria enxerga a missão com clareza:

“Quero empregar mais mulheres, ampliar nossa linha com produtos que levem saúde e bem-estar, e devolver o pouco que sei para outras mulheres. Crescer, sim, mas sempre com propósito.”

Confira a entrevista de Valéria Furini ao Minha Vida Magnólia

E o nome Eleva O Rosa, de onde veio?

“Eleva” vem da ideia de elevar, de trazer para cima. E “Rosa” porque sempre associei à feminilidade. A identidade visual traz a flor de lótus, que nasce na lama e floresce linda. Isso representa a mulher: mesmo em meio a desafios, seguimos entregando o nosso melhor. Já a ponta do logo lembra o rabo da Fênix, que renasce das cinzas, como tantas vezes fazemos em nossas vidas.

Todos os produtos são desenvolvidos por você?

Sim. Eu estudo, formulo, testo e só lanço depois de muita análise. Cada produto leva em média um ano para ficar pronto. Já tenho um novo em desenvolvimento para o ano que vem.

Como é feito o atendimento?

Nosso atendimento é 100% humanizado. Vendemos direto pelo WhatsApp e não usamos robôs. As pessoas conversam com atendentes reais, que ouvem, entendem e indicam o que realmente é necessário. Muitas vezes, a mulher chega até nós querendo todos os produtos. A gente acolhe e orienta com responsabilidade. A venda tem que ter sentido.

Pode dar um exemplo de fórmula pensada com esse cuidado?

Claro. O Neuro Noite Gotas é um deles. É um indutor natural do sono, à base de melatonina, que começa a agir já na primeira noite. Ele é em gotas porque essa forma tem até 98% de absorção. A apresentação farmacêutica faz toda a diferença. E sabemos que sono ruim afeta todo o organismo.

A mulher é o centro da marca?

Nosso maior público é feminino. E o mais interessante é que a mulher não compra só para ela. Ela compra para o marido, para os filhos, para a mãe… muitas vezes para toda a família. Alguns produtos são indicados também para homens, e quem faz a ponte é a mulher. Nosso Instagram é voltado para elas. E não falamos só de produtos. Falamos sobre a mulher como ser completo, com autoestima, força e coragem. Não é aquela conversa de “tome isso e emagreça”. O que a gente defende é: sim, os nossos produtos vão te ajudar, mas você também precisa se alimentar bem, se movimentar e cuidar da mente.

E a transição de farmacêutica para empreendedora?

Foi um desafio. Eu quebrei no meu primeiro negócio, por falta de maturidade. Depois voltei a trabalhar com carteira assinada, mas sentia que minha missão era outra. Fui amadurecendo, errando menos, e a Eleva O Rosa nasceu desse reencontro comigo mesma. Na faculdade de Farmácia, ninguém ensina a empreender. Tudo isso veio com a prática, com os tombos e com muita fé. Eu acredito que cada um tem uma missão, e a minha é cuidar de pessoas.

Como você concilia ser mulher, mãe, empreendedora e criadora da marca?

Não existe equilíbrio. Existe prioridade. Todos os dias eu preciso decidir o que é mais importante naquele momento. Trabalho de forma híbrida, em casa e no escritório, porque meu filho tem 7 anos. Faço comida, acompanho as tarefas, levo na escola, depois vou para o escritório e mais tarde para a academia. Tem semanas mais leves, outras mais intensas. E eu confesso: quem fala que dá conta de tudo com equilíbrio, está mentindo. Sou grata por ter conseguido estruturar uma rotina que funciona pra mim. Saí da indústria há quatro anos, hoje presto consultoria e cuido da minha marca. Não tenho rede de apoio ou família por perto. Me viro com organização da casa, uma agenda que gira em torno também do meu filho e do meu marido.

Você acha que a carga para a mulher ainda é muito maior?

Sem dúvida. Vi uma imagem outro dia que me marcou: mostrava uma mulher tentando correr, mas à frente dela estavam pilhas de louça, tanque de roupas, crianças, mercado, comida, tarefas… Muita gente não entende, mas ser mãe também é uma profissão e sem folga ou demissão. Eu também lavo roupa, faço o lanche do meu filho, organizo a casa. E se a criança estiver suja, tirar nota baixa ou ficar doente, geralmente é a mãe que é responsabilizada e falta no trabalho. Meu marido avisa que vai viajar. Eu preciso reorganizar toda a estrutura familiar pra isso acontecer. A mulher carrega muitas responsabilidades invisíveis, que não são remuneradas nem reconhecidas. Por isso eu digo: a gente dá conta, mas com muito custo.

Qual conselho você daria para uma mulher que quer empreender, mas tem medo?

Empreenda em algo que você conhece. Não adianta querer abrir um negócio num ramo que você não domina. Pergunte a si mesma: “Eu sei fazer esse serviço ou esse produto?”. Se a resposta for sim, então vá. E troque a palavra medo por coragem. Acredite em si mesma.

E onde você quer estar daqui a 5 anos?

Quero ter mais produtos na linha, estar empregando mais mulheres direta e indiretamente. Quero devolver o conhecimento que conquistei, ajudar outras mulheres, expandir a marca de forma saudável e com propósito. Quero contribuir com longevidade e saúde, sem agredir o corpo. Essa é minha missão.