
Dados do IBGE mostram que mulheres ainda são minoria na liderança. Especialista Valdireni Alves aponta a comunicação como ferramenta estratégica para ampliar presença feminina.
Mesmo sendo maioria da população e apresentando, em média, maior nível de escolaridade do que os homens, as mulheres ocupam cerca de 39% dos cargos gerenciais no país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O número revela um contraste. Mais qualificadas em anos de estudo, mas ainda com menor presença nas posições de decisão dentro das organizações.
Especialistas apontam fatores estruturais e culturais para explicar essa diferença. Mas há também um aspecto estratégico que merece atenção. A forma como as mulheres se comunicam em ambientes de liderança.
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Percepção de autoridade
Para a jornalista, palestrante e especialista em comunicação assertiva e oratória, Valdireni Alves, autora do livro “Você é do tamanho da sua comunicação“, lançado pela editora Great People Books, a insegurança na fala pode influenciar diretamente a percepção de autoridade.
“Muitas mulheres altamente capacitadas suavizam posicionamentos, evitam confrontos estratégicos e pedem desculpas antes mesmo de defender uma ideia. Em ambientes competitivos, isso impacta visibilidade, influência e oportunidades.”
Os dados do IBGE mostram ainda que as mulheres brasileiras têm, em média, mais anos de estudo que os homens. Mesmo assim, continuam recebendo menos e ocupando menos espaços de comando.
Para Valdireni Alves, apenas a qualificação técnica não garante presença na liderança.
“Não é só sobre qualificação. É sobre posicionamento. Comunicação clara e estruturada fortalece a percepção de liderança.”
Comunicação e liderança feminina
Em um cenário corporativo cada vez mais marcado por decisões rápidas e reuniões estratégicas, saber estruturar uma fala, sustentar argumentos e comunicar com firmeza pode fazer diferença.
“A mulher precisa ocupar espaço e sustentar esse espaço com segurança na comunicação. Autoridade não é agressividade. É clareza.”
Valdireni Alves lista cinco ajustes práticos para fortalecer a comunicação feminina no ambiente corporativo.
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Cinco ajustes práticos para fortalecer a comunicação feminina
- Eliminar pedidos de desculpa desnecessários
Substituir frases como “Desculpa, mas eu acho…” por “Minha análise é…”. - Falar em primeira pessoa com segurança
Utilizar expressões como “Eu proponho”, “Eu recomendo” ou “Eu discordo por essas razões”. - Estruturar a mensagem antes de falar
Clareza e organização ajudam a fortalecer a autoridade. - Cuidar da comunicação não verbal
Postura, tom de voz e contato visual reforçam credibilidade. - Treinar exposição estratégica
Quem não se posiciona, não é lembrada.
Comunicação não é detalhe, diz Valdireni
Para a especialista, discutir liderança feminina também passa por discutir posicionamento.
“No Mês da Mulher, discutir liderança também é discutir posicionamento. Mulheres preparadas precisam estar aptas a se posicionar. Comunicação não é detalhe. Autoridade não é volume de voz. É clareza, estrutura e segurança na mensagem. Comunicação é uma ferramenta estratégica de liderança.”
Valdireni Alves é jornalista, palestrante e especialista em comunicação assertiva e oratória. Com mais de 30 anos de experiência em televisão e comunicação institucional, atua no treinamento de líderes, executivos e empreendedores em todo o país.
É autora do livro “Você é do Tamanho da Sua Comunicação“, lançado em 2025 pela editora Great People Books, e fundadora da S.Clara Comunicação.




