
Apesar da recomendação anual, muitas mulheres ainda não mantêm consultas regulares, o que pode atrasar a prevenção e o diagnóstico precoce
Ir ao ginecologista uma vez por ano ainda não é uma realidade para muitas mulheres. Na prática, a consulta costuma acontecer só quando surge algum sintoma. O problema é que, quando o assunto é câncer de colo do útero, esperar sinais pode atrasar o diagnóstico.
Esse tipo de câncer está entre os mais comuns no Brasil e, na maioria dos casos, é causado pela infecção persistente pelo papilomavírus humano, o HPV.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer, alguns tipos do vírus podem provocar alterações nas células do colo do útero que, com o tempo, evoluem para a doença.
A boa notícia é que existem formas simples e eficazes de prevenção. E elas estão mais acessíveis do que muita gente imagina.
Vacina contra HPV: proteção que começa cedo
A vacina contra o HPV é hoje uma das principais estratégias para reduzir os casos da doença. No Brasil, ela é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo. A maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida.
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Nem todos os casos evoluem para doenças, mas alguns tipos estão diretamente ligados ao câncer.
A ginecologista Ingrid Lorrane, do Eco Medical Center, reforça a importância da imunização.
“A vacina contra o HPV é uma das ferramentas mais eficazes que temos hoje para prevenir o câncer de colo do útero. Quando administrada antes do início da vida sexual, ela consegue reduzir significativamente o risco de infecção pelos tipos de vírus mais associados ao câncer”, explica.
Ela também chama atenção para a desinformação.
“Infelizmente ainda existe muita desinformação sobre a vacina. Ela é segura, passou por diversos estudos e é aplicada em milhões de pessoas. A imunização é um investimento na saúde futura”, afirma.
Exame preventivo segue sendo indispensável
Mesmo com a vacina, o exame preventivo continua sendo essencial. O Papanicolau é capaz de identificar alterações nas células antes mesmo de qualquer sintoma aparecer.
Isso muda completamente o cenário. Quando detectadas cedo, essas alterações podem ser tratadas de forma simples, evitando que evoluam para um tumor.
“O exame preventivo permite identificar lesões iniciais, que não apresentam sintomas. Quando detectamos essas alterações cedo, conseguimos tratar antes que evoluam para câncer”, explica.
A recomendação é que mulheres entre 25 e 64 anos façam o exame regularmente, conforme orientação médica.
Consulta regular ainda é um desafio
Muitas mulheres ainda deixam a consulta ginecológica em segundo plano. Falta de tempo, medo ou até desconforto com o exame são fatores comuns. Mas o acompanhamento regular faz diferença.
A consulta não serve apenas para tratar problemas. Ela é o momento de prevenção, orientação e cuidado contínuo.
“A consulta ginecológica não deve acontecer apenas quando há algum problema. Ela faz parte do cuidado preventivo da saúde da mulher. É nesse momento que avaliamos fatores de risco, orientamos sobre vacinação, exames e hábitos de prevenção”, reforça a médica.
Informação pode salvar vidas
O câncer de colo do útero é, em grande parte, evitável. A combinação entre vacina, exame preventivo e acompanhamento médico reduz de forma significativa os casos da doença.
Ainda assim, o acesso à informação e aos serviços de saúde segue sendo um desafio. Por isso, falar sobre o tema é um passo importante.
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No fim das contas, a pergunta inicial continua necessária. Não como cobrança, mas como convite.
Você tem olhado para a sua saúde com a atenção que merece?




