Presidente do Banco da Família Isabel Baggio fala sobre inclusão financeira, trajetória de liderança e o impacto do crédito no empreendedorismo feminino

Transformar realidades. Foi com esse propósito que nasceu, em 1998, o então Banco da Mulher, em Lages (SC), uma iniciativa pioneira da Câmara da Mulher Empresária da Associação Empresarial de Lages (ACIL). O objetivo era claro: oferecer crédito simplificado para mulheres que queriam empreender, mas encontravam portas fechadas no sistema financeiro tradicional.

Quase três décadas depois, a essência dessa missão segue viva — agora sob o nome Banco da Família — com uma atuação que se expandiu para mais de 300 municípios do Sul do Brasil. E, no centro dessa história, está Isabel Baggio, presidente da instituição desde os primeiros passos.

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“A origem como Banco da Mulher foi uma resposta a uma demanda urgente: muitas mulheres queriam empreender, sustentar suas famílias, mas encontravam barreiras no sistema financeiro tradicional. Essa essência de inclusão e empoderamento feminino continua viva até hoje”, destaca a presidente.

O começo da jornada

“Comecei minha carreira na comunicação da empresa da minha família, mas sempre tive um olhar voltado para o impacto social”, conta Isabel.

Com formação em Administração, pós-graduação em Marketing e MBA em Administração Global, ela também atuou em entidades representativas e presidiu a Associação Empresarial de Lages, antes de aceitar o desafio de liderar o projeto inovador do Banco da Família.

“A proposta era ousada: oferecer microcrédito de forma responsável, com foco em quem mais precisava.”

Hoje, também está à frente da Associação Brasileira de Entidades Operadoras de Microcrédito e Microfinanças (ABCRED).

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Sob a liderança dela, a instituição se tornou uma das maiores de microfinanças do Brasil, alcançando mais de R$ 2 bilhões em crédito concedido.

“Grande parte desse valor foi destinado a mulheres”, destaca.

Atualmente, elas representam cerca de 55% da carteira de clientes do banco. Muitas são chefes de família, enfrentam múltiplas jornadas e ainda precisam vencer a desconfiança quando decidem empreender.

“Nosso papel é enxergá-las como potenciais líderes e oferecer não apenas crédito, mas também acolhimento, orientação e confiança. São milhares de histórias de superação e sucesso que mostram como o apoio certo, no momento certo, pode mudar vidas.”

A atuação do banco vai além da concessão de crédito. Com uma equipe que conhece de perto as comunidades atendidas — inclusive com muitas agentes de crédito mulheres — a instituição aposta em uma abordagem sensível e orientadora.

“Avaliamos o cenário familiar, se o crédito faz sentido, se há condições de pagamento. Nossa preocupação é ajudar, não endividar a família”, explica Isabel.

R$ 2 bilhões em crédito concedido ao longo da nossa história

Os resultados dessa escuta atenta aparecem nas histórias de transformação: mulheres que começaram com um carrinho de cachorro-quente e hoje têm restaurantes próprios; costureiras que se tornaram donas de confecção.

“Recentemente, ultrapassamos a marca de R$ 2 bilhões em crédito concedido ao longo da nossa história – grande parte para mulheres. Isso nos mostra que estamos no caminho certo.”

Isabel comemora cada conquista como um sinal de que estão no caminho certo.

“O maior desafio sempre foi romper barreiras culturais e institucionais que dificultam o acesso das mulheres ao crédito e ao empreendedorismo.”

Motivação para começar

Para aquelas que sonham em empreender, a presidente envia uma mensagem direta: “Confiem em vocês mesmas. O medo é natural, mas não pode ser maior do que o sonho. Busquem informações, se preparem, e procurem instituições que realmente acreditem no seu potencial. O crédito não é um fim, é um meio para transformar a sua realidade e a da sua família.”

Segundo Isabel, no Banco da Família, empreender é mais do que abrir um negócio. “É sobre acender possibilidades — dentro de casa, na rua, e em toda a comunidade”, finaliza a presidente.