Tany Folle compartilha como o autoconhecimento e a cura emocional moldaram sua trajetória, equilibrando maternidade, profissão e transformação pessoal, trazendo leveza e propósito para sua vida

Escolhas, renúncias e reinvenções marcam a trajetória de Tany Folle, uma mulher que não se define apenas pelos títulos acadêmicos ou conquistas profissionais. Graduada, com especialização, mestrado e formações no Brasil e no exterior, ela aprendeu que ser múltipla exige coragem para viver as dores e delícias de cada camada que a compõe — algumas já curadas, outras ainda em processo.

Criada sob uma educação rígida, aprendeu desde cedo a seguir deveres. “Era o que se tinha e eu honro isso”. Casou, separou e, anos depois, casou novamente com o mesmo homem, já transformada.

“O amor também pode se refazer quando nos refazemos por dentro”, diz.

A maternidade, vivida com intensidade ao lado dos filhos Luiz Antonio e João Artur, revelou desafios e silêncios, mas também despertou sua escuta mais atenta e sensível.

“Não romantizo, mas também não endureço. No caos, me escuto e sigo. Porque ser mãe deles me fortalece, mesmo quando me sinto frágil. Eles foram desejados e planejados – eu amo ser mãe.”

Reflexões sobre a dor e o amor na maternidade

Aos 13 anos, começou a trabalhar na empresa da família. Mais tarde, tornou-se professora e descobriu que a missão ia além da sala de aula. Hoje, atua com um olhar sistêmico e humano, integrando educação, neurociência e cura emocional.

“Carrego a força do meu pai e a sensibilidade da minha mãe. Sou movida pelo propósito de unir conhecimento e cura. Acredito em processos vivos, que respeitam o tempo, a história e o ritmo de cada um”, resume.

Sua história é sobre ressignificar papéis, curar dores invisíveis e ajudar outras mulheres a se reconectarem consigo mesmas.

Nesta entrevista, Tany compartilha com generosidade as vivências que a moldaram. Um convite para refletir sobre maternidade, amor, processos de cura e a força de continuar, mesmo quando a vida muda o rumo do roteiro.

Quem é a Tany por trás dos títulos? Como você se descreve hoje como mulher, mãe e profissional?

Somos feitas de escolhas – e cada título que carrego foi fruto de escolhas e renúncias. Graduação, especialização, mestrado, cursos no exterior… tudo custou tempo, energia e vida. A Tany é uma mulher que viveu na pele as dores e delícias de ser múltipla. Sou feita de camadas – algumas já curadas, outras ainda em processo.

Como mulher, aprendi a me reinventar e a me olhar com mais carinho. Fui criada sob uma educação rígida, pautada no dever mais do que no sentir. Era o que se tinha e eu honro isso. Fui educada para sair de casa para casar. E foi o que fiz. Segui o roteiro esperado, mas a vida, generosa e inquieta, me chamou para reescrever capítulos.

Casei, separei e, depois de muitos silêncios, retornos e descobertas, casei novamente com o mesmo homem. Não por voltar ao ponto de partida, mas porque ambos éramos outros. Foi nesse reencontro – mais maduro, mais verdadeiro – que compreendi que o amor também pode se refazer quando nos refazemos por dentro.

Ser mãe do Luiz Antonio e do João Artur é viver entre o amor que me sustenta e o desafio constante de fazer o melhor com o que tenho. Cada dia é um recomeço, e nada vem com manual. Às vezes, o simples vira labirinto, e o que parece pequeno por fora, pesa demais por dentro. Ser mãe de adolescentes é estar pronta para silêncios, conversas atravessadas e emoções sem nome.

Estou aprendendo a ouvir o que não é dito, a respeitar o tempo de cada um, a estar presente mesmo quando tudo parece afastar.

Não romantizo, mas também não endureço. No caos, me escuto e sigo. Porque ser mãe deles me fortalece, mesmo quando me sinto frágil. Eles foram desejados e planejados – eu amo ser mãe.

Ser profissional, comecei a trabalhar aos treze anos na empresa da minha família. Essa vivência precoce me ensinou sobre responsabilidade, comprometimento e a força de fazer acontecer. Quando decidi seguir os passos da minha mãe e ser professora, percebi que, mesmo sem saber, já enxergava meus alunos integralmente – além do currículo.

Hoje como profissional, carrego a força do pai e a sensibilidade da mãe, sou movida pelo propósito de unir conhecimento e cura. Acredito em processos vivos, que respeitam o tempo, a história e o ritmo de cada um. A educação me deu ferramentas; a vida, sentido. Hoje, o que me move é levar um olhar mais humano, profundo e sistêmico para quem precisa se reconectar consigo mesmo e com os seus.

Como a mentoria sistêmica e a neurociência entraram na sua vida?

Vieram da vida real – da maternidade. Percebi que amar não basta; é preciso compreender. Entendi que algumas dores não se explicam com palavras e que certos comportamentos escondem histórias profundas. Foi então que iniciei uma busca por respostas: Reiki, Barras de Access, PNL, constelação sistêmica… A jornada seguiu.

A mentoria sistêmica e a neurociência não foram modismos – foram necessidades. Ferramentas para lidar com o invisível, para acolher o que não era dito, para enxergar além da superfície.

Entendi que carregamos histórias que não são só nossas — padrões, repetições, lealdades inconscientes.

A neurociência me trouxe estrutura e linguagem para compreender processos internos que por muito tempo foram silenciados. Descobri que muitas dificuldades de aprendizagem escondem dores. E que nenhuma técnica funciona sem escuta.

Essas abordagens me deram sensibilidade e base para acolher o outro – e a mim mesma – com mais presença, verdade e profundidade.

Houve um momento decisivo que te levou a olhar com mais profundidade para as emoções ligadas à maternidade?

Sim. As necessidades do Luiz Antonio foram um portal – não só para o mundo das necessidades especiais, mas para dentro de mim. Enfrentei medos e sombras. Entendi que ser mãe é mais do que cuidar – é se reconstruir. A maternidade me atravessou e me curou. Foi no silêncio das noites difíceis, na escuta das terapias e nos pequenos gestos dos meus filhos que aprendi a acolher minhas próprias emoções com mais compaixão.

O que mudou em você desde que começou a trabalhar com o tema da cura emocional?

A cura emocional me libertou da armadura da perfeição. Me permitiu ser vulnerável sem perder a força – reconhecer que até quem guia também precisa de direção. Como mulher, aprendi a respeitar meu tempo e confiar no meu processo, mesmo nos dias mais confusos.

Como profissional, alinhei fórmulas prontas com a individualidade de cada pessoa com mais humanidade e verdade. A cura tem me ensinado a escutar com o coração e a celebrar cada passo, por menor que pareça. Por isso digo, com firmeza e afeto: é possível transformar as nossas dores em alegrias, desafios em felicidade.

O projeto Mãe Curada nasceu de uma vivência pessoal ou da escuta de outras mulheres?

Nasceu da minha dor e da minha superação. Mas também nasceu da escuta profunda de outras mulheres que carregam culpas, medos e exigências impossíveis.

Mãe Curada é um espaço de respiro. Um chamado para que possamos existir além do papel de mãe e, ao mesmo tempo, fortalecer esse papel com mais leveza, consciência e amor próprio.

O que te ensinou mais: a dor ou o amor?

A dor me ensinou a parar, escutar e reconstruir. O amor me deu coragem para continuar. A dor aponta feridas; o amor acolhe e cura. Quando focamos apenas no sofrimento, assumimos o lugar de vítimas, e nesse lugar, a vida perde o sentido. Vítimas sobrevivem, mas não vivem de verdade.  Aprendi que amar de verdade exige atravessar dores. O importante é que o amor permanece.

Que conselhos você daria para mulheres sobrecarregadas, culpadas ou distantes de si por conta da maternidade?

Você não precisa dar conta de tudo. Você precisa se amar. Não precisa ser perfeita. Permita-se ser humana. Organize-se. Saiba o que você ama e o que não ama. Acolha-se nos dias bons e nos dias difíceis. Busque apoio. Crie redes.

Olhe no espelho com ternura e desejo. Resgate a mulher que existe em você, para além da mãe. Cuidar de si não é egoísmo – é um ato de amor por você e por quem você ama. Enquanto há movimento há vida.

Qual foi o maior aprendizado que a maternidade te trouxe?

Aprendi que amar é um verbo imperfeito – e justamente por isso, profundamente humano e lindo. Que filhos não vêm para preencher vazios, mas para expandir limites, provocar mudanças e nos fazer crescer. Descobri que cada fase é única, irrepetível e exige uma versão nova de nós mesmas. Que mesmo quando erramos, o amor pode e deve continuar sendo um lugar seguro.

A maternidade (atípica e típica) me ensinou a ser forte sem endurecer, a sentir sem me afogar, a acolher sem me anular.

Aprendi a amar com a alma, mesmo quando o corpo está exausto, mesmo quando o silêncio pesa e as respostas não chegam. E, sobretudo, compreendi que, quando uma mãe se cura, seus filhos respiram aliviados.

Eu escolhi libertar meus filhos das minhas dores. Escolhi curar em mim o que não quero que pese neles. Por isso, hoje, eu vivo inteira, e, justamente por isso, amo ainda mais quem me cerca. Porque nesse estado de presença, o amor flui sem esforço.