Com quase 12 anos de atuação, Emili Carla Dutra, arquiteta de Chapecó, assina ambiente ao lado de Francieli Lamonato e destaca a força delicada da mulher brasileira

A arquiteta Emili Carla Dutra, de Chapecó, é daquelas profissionais que ouvem com sensibilidade e transformam escuta em espaço. Com quase doze anos de carreira na arquitetura, ela assina, ao lado de Francieli Lamonato, o ambiente Living Hall (C)ALMA na edição 2025 da Decorare Santa Catarina.

Um espaço que é pausa, é respiro. Um convite ao acolhimento, à conexão com a natureza e à reconexão com o próprio corpo.

O projeto parte da semente do Timbó — uma árvore nativa brasileira — e de suas curvas orgânicas. Foi dela que nasceram as linhas do mobiliário, as formas fluidas que remetem aos cursos dos rios e às curvas da mulher brasileira.

A partir dessa essência, materiais naturais como pedra, couro, rochas e madeira se encontram num ambiente sereno, onde o olhar repousa e o corpo desacelera.

“Trouxemos um pouco da natureza para dentro do espaço. A claraboia permite a entrada de uma luz suave, quase solar, criando uma iluminação que conversa com a alma”, explica Emili.

A árvore Timbó aparece em versão semi natural, integrando o projeto com delicadeza e força — as mesmas características que movem a arquiteta em sua jornada profissional.

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A arte indígena também ocupa lugar de destaque no ambiente. Um cocar original do Tocantins, feito por mãos indígenas com penas naturais e linho, estampa a parede como símbolo de nossas raízes. É a força ancestral que se faz presente, respeitosa e integrada.

O resultado é um espaço que transmite calma, serenidade e propósito. Como ela mesma descreve, é um lugar para quem busca se energizar, desacelerar e sentir.

“Hoje, todo mundo procura se tranquilizar, estar mais perto da natureza. E esse foi o intuito: criar um ambiente aconchegante, acolhedor, que transmitisse paz”, afirma.

A sensibilidade de Emili se reflete em cada traço do projeto. Diretora e arquiteta da Ela une prática e intuição. Consegue compreender o cliente e transformar propósito em ambiente. Como mulher, arquiteta e criadora, ela não só desenha espaços — ela traduz emoções em matéria.

Emili, diretora de obras e de emoções

Neste ano, além de fazer parte do elenco de arquitetos assinando um espaço, Emili também foi convidada a integrar a equipe da mostra como diretora — um convite feito pelo organizador do evento, Thiago Freitas.

“Confesso que pensei várias vezes se aceitaria esse desafio e responsabilidade gigantescos. Afinal, ter de enfrentar tantos imprevistos com um evento e obra desse porte, com 40 ambientes acontecendo simultaneamente dentro de outra gigante, e ainda mais, ter de assumir uma postura mais firme e rígida com os colegas de profissão, não seria nada fácil”, comenta.

Com sua experiência em duas mostras anteriores, Emili acreditou que poderia somar — e tornar o processo mais leve e organizado. O foco, segundo ela, sempre foi colaborar para que a Decorare cresça e se fortaleça cada vez mais.

“Teve imprevistos, teve ansiedade, nervos à flor da pele. Mas no final, tudo deu certo! Porque também teve muito comprometimento, dedicação e vontade de fazer acontecer! Estreitei laços com colegas que já conhecia, conheci novos”, analisa.

Ao ver o resultado, ela se emociona: “São 40 ambientes, mais de 80 profissionais assinando seus espaços com suas próprias interpretações e essências sobre a Brasilidade. Eu estou muito feliz e orgulhosa com o comprometimento, dedicação com que entregaram os seus espaços materializados. A mostra está maravilhosa!”