
No livro “A gente mira no amor e acerta na solidão”, Ana Suy reflete sobre vínculos, expectativas e o espaço inevitável da solidão nas relações humanas
O amor costuma ser um território de esperanças. Mas o que acontece quando ele não preenche tudo o que esperávamos? É essa pergunta — direta, delicada e corajosa — que atravessa o livro “A gente mira no amor e acerta na solidão”, da psicanalista e escritora Ana Suy, publicado pela Editora Planeta.
Com uma escrita breve e reflexiva, Ana conduz o leitor por pensamentos sobre os vínculos afetivos e o lugar que a solidão ocupa mesmo quando estamos acompanhadas.
“A solidão, de alguma forma, nos acompanha sempre”, escreve.
E ao invés de negar essa presença, a autora a encara como parte do amor — não como oposto.
Relações não completam, mas podem acompanhar
O livro reúne pequenos ensaios sobre os desafios de se relacionar sem perder a escuta de si mesma. O título, por si só, já provoca: quantas vezes buscamos no outro uma resposta para as nossas faltas? Quantas vezes confundimos o amor com a promessa de sermos salvas da solidão?
Para Ana, o amor não vem para tapar buracos, mas para acolher o que é possível.
“Esperamos que o outro nos compreenda por inteiro. Mas essa expectativa pode se transformar em frustração”, escreve.
O que ela propõe é menos fantasia e mais realidade: aceitar que todo vínculo carrega suas ausências, seus silêncios e seus limites.
Escuta, presença e recomeços
Leitoras que já passaram por términos, recomeços ou períodos de silêncio afetivo encontram no livro um espelho. “A gente mira no amor e acerta na solidão” não oferece soluções, mas abre espaço para quem deseja se escutar com mais verdade.
Sem romantizações e com muita sensibilidade, Ana Suy nos lembra que o amor começa — e continua — quando deixamos de exigir completude e aprendemos a estar juntas, mesmo com os vazios que nos habitam.




