Contadora há 25 anos, Taís Daiane Bianchet assumiu a Charlotte e encontrou na moda circular um novo jeito de se expressar e se conectar.

Taís Daiane Bianchet começou sua trajetória profissional em 2000, como secretária em um escritório de contabilidade.

A partir da convivência com os colegas, passou a atuar no setor contábil, onde se identificou de imediato.

Em 2002, incentivada pelos ex-chefes, iniciou a graduação em Ciências Contábeis e logo depois migrou para o setor fiscal — área que considera seu verdadeiro lugar. Desde então, foram 25 anos dedicados a escritórios contábeis.

Durante a pandemia, ela se reinventou. Abriu seu próprio negócio: a Ministrare Soluções Contábeis, onde atende pessoas físicas, MEIs e pequenas empresas. Mas a contabilidade não é sua única área de atuação.

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Há quase 15 anos, também é professora universitária e integra atualmente o corpo docente da UCEFF Faculdades.

O ritmo intenso levou Taís a repensar suas noites como docente.

“O cansaço dos três turnos me fez pensar em parar com as aulas”, conta.

Foi nesse momento que a Charlotte Brechó surgiu no caminho dela.

A loja Charlotte, na época, era cliente de Taís no escritório de contabilidade. A então dona, Luciane, se preparava para se mudar de estado e pensava em fechar o brechó.

“Insisti muito para ela não encerrar o negócio. Até ajudei a procurar alguém para continuar a história”, lembra Taís.

Até que, em uma conversa informal, surgiu a possibilidade de ela mesma dar continuidade à loja.

Entre mudanças e permanências

Apaixonada por brechós desde que conheceu a Charlotte, Taís se encantou com a proposta da moda circular.

“A curadoria é impecável. Peças praticamente novas e preços justos.”

Apesar de ser um universo novo, ela já tinha algum conhecimento prévio.

“Fiz uma ótima consultoria de imagem e estilo e uma aula de tecidos. Mesmo assim, tive que estudar bastante.”

Para Taís, o maior desafio vai além das roupas.

“São as pessoas. Levar o brechó até elas, divulgar, aparecer mais nas redes sociais, que para mim sempre foi muito difícil.”

Ela mergulhou em conteúdos sobre moda, marcas, costuras e tecidos. Leu livros, pesquisou tendências e colocou em prática uma rotina dividida com método e organização.

“Sou muito metódica. No início, minha sala do escritório virou estoque e curadoria. Araras e sacolas faziam parte da decoração.”

Hoje, a Charlotte já tem seu próprio espaço, com atendimentos agendados.

A experiência como contadora tem sido essencial na gestão da Charlotte.

“Separo exatamente as contas, organizo os custos e finanças. A própria Luciane já falou que adora meu olhar de contadora.”

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Charlotte: o nome que carrega histórias

O nome da loja, inclusive, carrega um significado que segue presente.

“Charlotte representa uma mulher forte, determinada, elegante. Surgiu do anseio de uma mulher chegando à menopausa, com o corpo mudando, querendo encontrar destino para peças não usadas e encontrar outras que fizessem sentido com um preço justo.”

Taís reconhece que manter as duas frentes exige equilíbrio.

“Pela sazonalidade, vai ter momentos que vou me dedicar mais ao escritório, outros ao brechó. Por enquanto, estou conseguindo conciliar.”

Ela não pensa em abandonar nenhuma das atividades. Seu foco agora é deixar as rotinas mais leves, sem abrir mão da qualidade no serviço contábil e com planos de seguir dando vida longa à Charlotte.

Comece sem medo

Ao pensar em outras mulheres que sonham em empreender em algo novo, Taís é direta:

“Ninguém começa experiente. Toda mulher que hoje admiramos um dia foi iniciante.”

Ela acredita que o mais importante é dar o primeiro passo — mesmo com medo, mesmo com dúvidas.

 “A experiência vem no caminho. Se a gente não tentar, não vai saber se ia dar certo.”