Dermatologista Joana Petito Magnavita explica por que treino e emagrecimento nem sempre resolvem a flacidez dos braços

Conhecida popularmente como “tchauzinho de miss”, a flacidez na parte inferior dos braços está entre as queixas estéticas mais frequentes entre as mulheres. O incômodo costuma aparecer em gestos simples do dia a dia, como acenar, levantar os braços, usar uma regata, vestir uma roupa sem manga ou aparecer em fotos e vídeos.

A região chama atenção porque é uma das áreas mais expostas e movimentadas do corpo. Por isso, mesmo pequenas alterações na firmeza da pele podem ser percebidas com mais facilidade.

Apesar de ser comum associar a flacidez dos braços à falta de treino, essa nem sempre é a causa principal. Em muitos casos, a musculatura está fortalecida, mas a pele perdeu sustentação com o passar do tempo.

Segundo a dermatologista Joana Petito Magnavita, da Harmonize Gold, essa é uma dúvida frequente no consultório.

“Muitas pacientes chegam dizendo que treinam há anos e não entendem por que os braços continuam com aspecto flácido. Isso acontece porque, em muitos casos, o músculo está fortalecido, mas a pele perdeu sustentação ao longo do tempo. O envelhecimento reduz gradualmente a produção de colágeno e elastina, responsáveis pela firmeza e elasticidade da pele. Por isso, o primeiro passo é entender se a principal queixa está relacionada ao músculo, ao excesso de gordura ou à qualidade da pele”, explica.

Por que o treino nem sempre resolve?

A atividade física é essencial para a saúde, melhora do tônus muscular, força e composição corporal. No entanto, ela não consegue devolver sozinha a firmeza da pele quando já existe perda de colágeno, elastina e sustentação natural da região.

Esse é um dos principais mitos sobre a flacidez dos braços. Muitas mulheres emagrecem, treinam com regularidade e ainda se incomodam com o chamado “tchauzinho de miss”. Isso acontece porque músculo e pele respondem de formas diferentes.

::: Acompanhe >>> Carina Brum explica como os exercícios físicos melhoram a produtividade

O músculo pode ficar mais forte e definido, enquanto a pele pode continuar com perda de elasticidade. Por isso, a avaliação profissional é importante para entender se o incômodo está mais relacionado à flacidez da pele, ao acúmulo de gordura ou à estrutura muscular.

Tratamento precisa considerar cada caso

De acordo com Joana, o tratamento deve ser individualizado. Diferentes graus de flacidez exigem abordagens distintas, e nem toda paciente precisa do mesmo protocolo.

Quando a perda de firmeza está relacionada principalmente à qualidade da pele, tratamentos voltados para a bioestimulação de colágeno têm ganhado espaço. Eles atuam na estrutura cutânea e buscam melhorar a firmeza de forma gradual.

“O objetivo não é apenas melhorar o desenho do braço, mas recuperar a qualidade da pele de forma gradual, respeitando as características de cada paciente”, afirma a dermatologista.

A proposta, segundo a especialista, não é transformar o corpo de forma artificial, mas estimular uma melhora progressiva na pele, de acordo com a necessidade e a resposta de cada organismo.

::: Leia mais >>> Autocuidado: dicas simples para promover o bem-estar com Ju Romantini

O envelhecimento também aparece no corpo

Para Bernardo Magalhães, diretor executivo da Harmonize Gold, a procura por tratamentos em áreas além do rosto mostra uma mudança na forma como as pessoas passaram a enxergar o envelhecimento.

“Durante muitos anos, quando se falava em colágeno, o pensamento ia direto para o rosto. Hoje, o paciente entende que braços, mãos, pescoço, colo, abdômen e glúteos também envelhecem. O cuidado com a qualidade da pele deixou de ser localizado e passou a envolver o corpo inteiro”, afirma.

A percepção acompanha uma realidade vivida por muitas mulheres. Com o passar dos anos, a pele muda em diferentes regiões. E o braço, por estar sempre em movimento e muitas vezes visível, acaba revelando essas alterações com mais facilidade.

O que pode ajudar a cuidar da firmeza da pele dos braços

Algumas medidas podem contribuir para a saúde da pele e ajudar na prevenção da flacidez. Elas não substituem a avaliação médica, mas fazem parte de uma rotina de cuidado mais completa.

  1. Manter a atividade física regular
    O treino fortalece a musculatura, melhora o tônus e contribui para a saúde geral do corpo. Mesmo quando não resolve sozinho a flacidez da pele, continua sendo importante.
  2. Evitar grandes oscilações de peso
    O efeito sanfona pode prejudicar a elasticidade da pele e favorecer a flacidez em diferentes regiões do corpo.
  3. Cuidar da alimentação
    Uma alimentação equilibrada, com boa ingestão de proteínas, vitaminas e minerais, ajuda o organismo a manter suas funções, inclusive aquelas relacionadas à saúde da pele.
  4. Hidratar a pele
    A hidratação não elimina a flacidez, mas ajuda a manter a barreira cutânea mais saudável e melhora o aspecto geral da pele.
  5. Usar protetor solar também no corpo
    Braços, colo, mãos e pescoço também sofrem os efeitos da radiação solar. A exposição sem proteção contribui para o envelhecimento precoce da pele.
  6. Buscar avaliação profissional
    Antes de escolher qualquer tratamento, é importante entender a causa principal do incômodo. A flacidez pode envolver pele, gordura, músculo ou uma combinação desses fatores.

Mais do que uma questão estética, o “tchauzinho de miss” mostra como o corpo muda ao longo do tempo. Entender essas mudanças ajuda a olhar para si com mais informação, menos culpa e escolhas mais conscientes.