Nutricionista especializada em comportamento alimentar mostra como o estresse e a ansiedade influenciam a fome, a digestão e os hábitos alimentares diários

Você já se pegou comendo sem fome, só para aliviar o peso de um dia difícil? Para a nutricionista Shawanda Abreu Oliveira, isso é mais comum do que parece.

Segundo ela, nossas emoções têm o poder de comandar o que colocamos no prato, criando um ciclo em que ansiedade, estresse e tristeza viram gatilhos para uma alimentação impulsiva ─ que muitas vezes não alimenta o corpo, mas tenta silenciar a mente.

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A nutricionista e especialista em comportamento alimentar, Shawanda Abreu Oliveira, proprietária da Divícia Chapecó ─ um studio integrativo de saúde e bem-estar, explica que o cérebro, ao processar emoções, ativa áreas muito próximas daquelas responsáveis pela fome.

“Por isso é tão comum associar sentimentos desconfortáveis com a vontade de comer.”

A liberação de dopamina, um neurotransmissor ligado ao prazer, reforça essa associação. Ou seja, comer algo saboroso traz uma sensação de alívio imediato, mas que pode se tornar um problema quando é o único recurso utilizado para lidar com emoções difíceis.

Como o estresse afeta sua alimentação

Segundo a nutricionista, a fome física aparece gradualmente, não tem urgência e não está atrelada a um alimento específico.

A fome emocional, também chamada de fome hedônica, surge repentinamente e vem acompanhada de uma necessidade urgente por alimentos muito palatáveis, como doces ou frituras.

“Uma forma simples de identificar é: pergunte a si mesmo se uma fruta resolveria a sua fome. Se a resposta for não, talvez não seja o estômago pedindo, mas sua mente buscando consolo.”

Para ajudar seus pacientes, ela ensina a fazer reflexões rápidas como: “Eu comeria qualquer coisa agora ou só algo específico?” ou ainda “Estou realmente com fome ou tentando compensar alguma emoção?”.

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O primeiro passo é reconhecer o padrão emocional que leva ao consumo. Muitas vezes, a vontade de comer surge após conflitos, no fim de dias exaustivos ou em momentos de solidão.

A nutricionista destaca cinco estratégias essenciais:

  • identificar os gatilhos emocionais;
  • buscar alternativas de conforto;
  • praticar a alimentação consciente;
  • registrar emoções;
  • refeições e buscar apoio profissional.

Influência da ansiedade e do estresse

Outra situação é a ansiedade e estresse. Além de influenciar o que e quanto comemos, o estresse crônico pode prejudicar o processo digestivo.

“Quando estamos em alerta, o corpo reduz a produção de enzimas digestivas e o fluxo sanguíneo para o intestino. Isso afeta a digestão, a absorção de nutrientes e até a flora intestinal.”.

Por isso, ela enfatiza que, cuidar da alimentação emocional não é apenas sobre controle de peso, mas também sobre saúde digestiva, imunidade e bem-estar geral.