
A psicóloga Tauana Mohr fala sobre insegurança, autoestima e coragem, e aponta caminhos para mulheres que querem se libertar de padrões e viver com mais autenticidade
A Síndrome da Impostora é mais do que uma dúvida passageira. É aquela voz interna que insiste em dizer que você não é boa o suficiente, mesmo quando tudo ao redor prova o contrário.
Para a psicóloga Tauana Mohr, essa sensação constante de estar “enganando” os outros, à espera de ser desmascarada, é resultado de uma construção social que ensinou mulheres a duvidarem de si desde cedo.
“Muitas mulheres se identificam com ela porque foram ensinadas a duvidar de si desde cedo. A sociedade impôs que elas precisavam ser modestas, perfeitas e agradáveis e, ao mesmo tempo, provar o tempo inteiro que merecem estar onde estão.”
A especialista lembra o quanto é exaustivo e profundamente injusto.
“Não é um diagnóstico, mas uma forma da nossa mente distorcer a realidade com base na nossa história.”
Quando a autoestima está baixa, os impactos no trabalho e na vida são profundos.
“Você começa a aceitar pouco, se contenta com o que aparece, duvida de cada passo, evita se expor. E, pior, às vezes nem considera oportunidades maiores porque, no fundo, não acredita que merece.”
Essa falta de reconhecimento interno cria o que ela chama de “teto invisível e doloroso”.
Reconhecimento e valorização das conquistas
Mesmo com conquistas e reconhecimento, muitas mulheres continuam sentindo que não são suficientes.
Para Tauana, isso acontece porque “o problema não está no quanto você é reconhecida. Está no quanto você se reconhece”.
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Esse medo nasce de feridas antigas e de relações que ensinaram que amor e valor sempre precisam ser merecidos.
“É como se você olhasse no espelho e não visse sua imagem refletida, mas sim o que você projeta.”
Sobre a pressão para mudar para ser aceita, a psicóloga faz uma distinção importante:
“Autodesenvolvimento é se transformar a partir do amor. Autonegação é se moldar pelo medo. Uma mudança saudável te aproxima de quem você é; a outra te afasta. A pergunta-chave é: essa mudança está me libertando ou me anulando?”
Como romper o ciclo da Síndrome da Impostora?
Para começar a romper esse ciclo, Tauana sugere reconhecer as próprias conquistas — das grandes às pequenas — e praticar o “silêncio interno”.
“É parar de brigar com a própria mente e começar a ouvi-la com gentileza, trazendo a voz da melhor amiga mais para perto. Lembrar que você não precisa merecer descanso, afeto, reconhecimento. Você já é suficiente. E, na medida do possível, se afastar de quem reforça a sua insegurança.”
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Coragem, segundo ela, não é ausência de medo, mas agir mesmo com ele.
“Consciência emocional começa com o hábito de parar e sentir. Antes de reagir, antes de se cobrar, antes de se envergonhar. Respirar fundo, olhar pra dentro e se perguntar: o que eu estou precisando agora?”
E, para quem está em um ambiente que adoece, a mensagem é direta: “Você não está sendo fraca por querer sair. Está sendo sábia. Ficar onde te machuca não é sinônimo de força. É sintoma de um padrão que te ensinou que aguentar era a única opção.
“Você pode escolher você. E isso não é egoísmo. É cuidado. É recomeço. E recomeçar é um ato de coragem e dignidade.”





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