Estratégias de networking feminino que fortalecem negócios, ampliam conexões e promovem crescimento pessoal e profissional

Quando Elizane Longhinotti se apresenta como treinadora comportamental, é só uma parte de quem ela é. Aos 53 anos, carrega uma “menina” cheia de sonhos que ainda questiona os limites do que pode oferecer ao mundo.

“Sou uma eterna inconformada. Me pergunto: só isso que posso fazer? Só isso que mereço?”

Mãe dedicada e companheira atenta, Elizane aprendeu a escutar para entender e não apenas para responder. Acredita que o amor é uma escolha diária, mas essa sensibilidade nasceu da dor.

Durante muito tempo, Elizane atuou como coach e terapeuta, ajudando pessoas a transformarem suas vidas. Mas, mesmo com todo o conhecimento e as especializações em comportamento humano, sentia que a própria vida não acompanhava as mudanças que promovia nos outros.

“Era como se eu não aplicasse em mim tudo que ensinava. A vida deles mudava, mas a minha não”, revela.

Esse desconforto a levou a uma viagem decisiva, um momento de isolamento, reflexão profunda e até revolta consigo mesma.

“Naquelas horas em que a gente tem muito tempo para pensar, eu disse para mim mesma: basta! Era hora de agir.”

Durante esse processo, ela resgatou projetos antigos, guardados “nas gavetas”, que não tinha tido coragem de executar. Entre eles, estava a ideia de criar um espaço para mulheres, mas não um grupo comum.

“Eu queria algo com sentido, um propósito real, que realmente fizesse a diferença”, conta.

Foi quando percebeu que sua trajetória de vida, marcada por força e resiliência, era uma inspiração para outras mulheres.

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“Sempre ouvi que minha força encantava e que as mulheres desejavam ter a força que eu tinha.”

Assim nasceu a ideia da comunidade que lidera hoje, fundada no princípio do fortalecimento mútuo: “Uma sobe e puxa a outra.”

Para Elizane, hoje atua como treinadora comportamental, o grupo não é apenas sobre empreendedorismo ou CNPJ, mas sobre o ser humano por trás do negócio, o CPF.

“Não se trata de quantidade, e sim da qualidade da entrega, do conhecimento compartilhado, das conexões verdadeiras e do crescimento real.”

Redes de apoio fortalecem mulheres no empreendedorismo

Elizane acredita que networking, especialmente entre mulheres, precisa ir além da troca de contatos.

“Tem a ver com sentir-se pertencente, acreditar que você tem algo a oferecer e receber.”

Mas ela reconhece que muitas mulheres enfrentam barreiras: o medo do julgamento, da comparação, da rejeição, e até mesmo o medo de crescer.

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Um dos maiores aprendizados da Elizane ao longo da sua jornada é que cada mulher tem seu tempo para se abrir e crescer.

“O que muitas precisam mesmo é do despertar, esse momento em que passam a acreditar mais em si mesmas e percebem que não estão sozinhas.”

Para isso, é fundamental estar em um ambiente acolhedor, onde haja uma mão estendida e não “chicote na língua”. Esse tipo de apoio, segundo ela, ajuda a mulher a revelar todo o seu potencial.

Mas Elizane também aprendeu a respeitar quando a mulher não está pronta para esse despertar.

“Nada, absolutamente nada, funciona se não for um desejo genuíno dela. Forçar o processo não gera resultado.”

O medo de crescer é um fator que atrapalha mulheres

Elizane destaca que muitas mulheres têm resistência em fazer networking por vários motivos: medo do julgamento, insegurança sobre pertencer a um grupo, falta de rede de apoio para cuidar dos filhos e garantir seu tempo, o receio de não agradar ou até o sentimento de não merecimento para estar junto com outras pessoas.

“Para muitas, o medo do crescimento é real e poderoso.”

Reconhecer essas barreiras é o primeiro passo para criar espaços seguros e empáticos, onde cada mulher possa, no seu tempo, se sentir pronta para se conectar e crescer.

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Para ela, conexões verdadeiras são diferentes de networking superficial. Não basta estar presente — é preciso estar com sentido.

“Não se trata de quantidade de pessoas ao redor, e sim da qualidade das trocas. Há ambientes que te elevam e outros que te derrubam. É preciso saber a diferença.”

A trajetória da Elizane é um lembrete: conexões verdadeiras têm o poder de reconstruir mulheres. Não é sobre eventos lotados ou cartões de visita. É sobre ser vista, ouvida e valorizada como se é.

“Se permita nunca mais se sentir sozinha. Se esse é seu caso hoje, quero me conectar com você e te estender a mão.”

Cinco dicas de Elizane para fortalecer sua rede de conexões

  • Escolha bem os ambientes: nem todo lugar é para você. Vá onde as pessoas façam sentido para o que você deseja viver.
  • Lembre-se do seu valor: networking é troca. Você aprende, mas também ensina. Todo mundo tem algo a contribuir.
  • Não julgue pela aparência: às vezes, você evita alguém achando que é “maior que você”. Conheça a trajetória antes.
  • Diferencie interesse de conexão: saiba distinguir quem é interessante e quem é interesseira.
  • Repare nos temas das conversas: se o ambiente não fala de Deus, família e negócios, mas só de outras pessoas, levante e vá embora.