
Fabiane Berta, ginecologista, explica que o contrário do que muitos ainda acreditam, a terapia hormonal não é vilã, é ferramenta de autonomia, saúde e qualidade de vida
Durante décadas, mulheres ouviram que a terapia hormonal (TH) era perigosa. Baseado em estudos mal interpretados, o medo se espalhou e silenciou o que poderia ter sido uma das maiores revoluções na saúde feminina.
Agora, com novos dados, ciência atualizada e especialistas como Fabiane Berta, ginecologista, pesquisadora e fundadora do MYPAUSA, a verdade começa a ser compartilhada, pois a TH pode e deve ser considerada, desde que de forma personalizada e bem monitorada.
“A mulher não pode mais ser refém de um passado científico mal interpretado. Hoje, sabemos que, quando bem indicada, a terapia hormonal é segura e transforma vidas.”
Segundo ela, ainda há muito preconceito, inclusive dentro do próprio sistema médico, o que dificulta o acesso e desinforma pacientes, por isso, a pesquisadora destaca 8 motivos que mostram porque a TH precisa ser parte da conversa e não um tabu.
Ajuda a restaurar o equilíbrio hormonal perdido
Na menopausa, os níveis de estrogênio e progesterona despencam. Essa queda abrupta desencadeia ondas de calor, ressecamento vaginal, irritabilidade e alterações no sono.
A TH repõe o que o corpo deixou de produzir, permitindo que a mulher atravesse essa fase com mais conforto e menos sofrimento.
::: Saiba mais >>> Como a menopausa afeta a pele e o que muda no skincare diário
Melhora significativa da qualidade de vida
Sono mais profundo, libido resgatada, humor mais estável e menos fadiga.
“São relatos que escuto todos os dias. Quando bem orientada, a TH devolve à mulher o que a menopausa tenta roubar, a vitalidade”, destaca Fabiane.
Proteção cardiovascular
Estrogênio tem ação vasodilatadora e anti-inflamatória. A sua ausência na menopausa aumenta o risco de doenças cardíacas.
A TH, quando iniciada precocemente e com indicação adequada, protege o coração, um dado ignorado por muitos.
Preservação da saúde óssea
A perda de massa óssea acelera após a menopausa. A reposição hormonal ajuda a prevenir osteoporose e fraturas. Fabiane alerta:
“O risco de uma fratura depois dos 60 pode significar a perda da autonomia. Isso também é qualidade de vida”.
Estímulo cognitivo e proteção do cérebro
A queda hormonal está diretamente ligada à névoa mental, lapsos de memória e até maior risco de demência. A TH, quando personalizada, tem potencial de manter a saúde cerebral ativa e proteger a mulher de um declínio cognitivo precoce.
::: Veja também >>> 6 plantas que favorecem a saúde da mulher na Menopausa
Impacto positivo sobre a sexualidade
Não se trata apenas de libido, a TH melhora a lubrificação, reduz o desconforto nas relações sexuais e fortalece o desejo, mantendo a mulher conectada ao seu corpo e à sua intimidade, pilares da autoestima feminina.
Melhora da saúde metabólica
A reposição pode reduzir resistência insulínica, equilibrar níveis de colesterol e prevenir ganho de peso.
“Menopausa não é sinônimo de descontrole metabólico. É preciso parar de normalizar sintomas que são tratáveis.”
Individualização é a chave da segurança
A medicina mudou. “Hoje não falamos em TH de forma genérica, mas em reposição desenhada para cada mulher, com exames, histórico, objetivos e estilo de vida considerados. Isso é cuidado real”, diz a especialista.
Fabiane Berta defende que o maior risco não está na terapia em si, mas na desinformação.
“Estamos deixando milhões de mulheres sem acesso ao que pode devolver a elas autonomia, bem-estar e saúde de verdade. Isso sim é perigoso”, finaliza.




