
A orientadora familiar Fabiana Ribas destaca a importância da identificação precoce, do acolhimento e da parceria entre família e escola para apoiar crianças e adolescentes superdotados
Aprender rápido, ter interesses profundos e criatividade intensa. Essas são algumas das características das crianças com Altas Habilidades (AH), também conhecidas como superdotadas, que representam cerca de 5% da população escolar, segundo o Ministério da Educação. Mesmo assim, muitas continuam invisíveis no sistema educacional.
Para a orientadora familiar, terapeuta de casal e família, Fabiana Ribas, o reconhecimento precoce e o acolhimento fazem toda a diferença para que esses talentos não se transformem em barreiras.
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A identificação precoce é essencial, mas ainda pouco comum. Muitas dessas crianças acabam sendo vistas como desatentas, agitadas ou desinteressadas, quando, na verdade, precisam de estímulos diferenciados.
“A criança ou adolescente passa a questionar tudo, o que gera cansaço, ansiedade, impaciência e até distanciamento social. Validar a curiosidade é bom, mas também é fundamental que os pais e a escola estejam presentes, acolhendo e oportunizando ações, atividades que possam auxiliar neste caminho.”
Trabalho em conjunto entre escola e família
Na escola, o processo exige ainda mais cuidado. Os interesses das crianças com AH muitas vezes não coincidem com os das demais da mesma idade, o que pode gerar solidão e isolamento.
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Fabiana recomenda que pais e professores incentivem atividades em grupo que estimulem a criatividade, sempre com linguagem acessível e prática.
“Buscar atividades extracurriculares também é o caminho para estimulá-los a encontrar pessoas com sentimentos semelhantes.”
Ritmo da escola costuma gerar frustração
Em sala de aula, situações como finalizar tarefas mais rapidamente ou precisar de ajuda extra podem ser interpretadas de forma equivocada.
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A diferença entre o ritmo da criança e o ritmo da escola costuma gerar frustração tanto para os alunos quanto para os pais, que sentem que seus filhos não estão sendo compreendidos. É nesse ponto que o diálogo constante entre família e escola se torna indispensável.
“Quando os pais compartilham informações, trocam percepções e oferecem sugestões de atividades que mantêm o filho estimulado, a escola passa a enxergar não apenas os desafios, mas também as possibilidades.“
Segundo ela, mais do que apontar dificuldades, a parceria precisa ser construída no acolhimento e no reconhecimento do papel de cada lado.




