Pesquisa do INCA investiga por que o câncer de mama triplo negativo é mais frequente e agressivo entre mulheres negras e reforça à prevenção e ao diagnóstico precoce

Um estudo coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) está investigando os fatores que tornam o câncer de mama mais agressivo em mulheres negras brasileiras.

A pesquisa, intitulada Mantus — Mulheres Negras e Câncer de Mama Triplo Negativo: Desafios e Soluções para o Sistema Único de Saúde (SUS), busca compreender os aspectos genéticos, sociais, ambientais e comportamentais que contribuem para essa desigualdade e propor melhorias no atendimento pelo SUS.

De acordo com o mastologista Marcelo Prade, esse tipo de tumor cresce rapidamente, oferece menos opções de tratamento e costuma ser diagnosticado tardiamente, o que reduz as chances de cura.

O   médico, especialista em mastologia e reconstrução mamária desde 2021, alerta que esse tipo de câncer, o TNBC, não responde aos tratamentos hormonais convencionais e exige atenção redobrada.

“Infelizmente, ele é mais comum entre mulheres negras, que muitas vezes enfrentam barreiras no acesso à saúde.”

Dados do INCA apontam que mulheres negras têm maior incidência do TNBC e enfrentam um prognóstico mais desfavorável. Em comparação com mulheres brancas, o risco de morte por câncer de mama é 57% maior entre negras e 10% maior entre pardas.

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O padrão também se repete em outros países, reforçando a necessidade de políticas públicas específicas e ações de conscientização que considerem as particularidades desse grupo.

Quando devo fazer mamografia?

Enquanto o estudo Mantus investiga os fatores de risco específicos, mudanças recentes nas diretrizes nacionais também ampliam o acesso ao rastreamento.

Diante do aumento de casos em mulheres mais jovens, no fim de setembro, o Ministério da Saúde passou a recomendar a mamografia sob demanda já a partir dos 40 anos, mesmo em mulheres sem sintomas.

Antes, o exame era indicado apenas a partir dos 50. A faixa etária para rastreamento também foi ampliada até os 74 anos.

“Essa mudança é muito positiva. Mulheres mais jovens estão sendo diagnosticadas com câncer de mama, e agora temos respaldo oficial para começar a investigar mais cedo.”

Dados do relatório Controle do Câncer de Mama no Brasil: Dados e Números 2025, publicado pelo INCA, apontam que Santa Catarina tem a maior taxa ajustada de incidência de câncer de mama no país: 74,79 casos por 100 mil mulheres.

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A estimativa para 2025 é de 3.860 novos diagnósticos no estado, sendo cerca de 340 apenas em Florianópolis.

Diante desses números, que revelam desigualdades no acesso ao diagnóstico e tratamento, o especialista reforça a importância de ações contínuas.

“O câncer de mama não escolhe cor de pele, por isso o sistema de saúde precisa garantir que ninguém fique para trás. Toda mulher merece acesso ao diagnóstico precoce e tratamento digno, o ano inteiro, não só em outubro”, completa o mastologista Marcelo Prade.