Terapeuta de família e casal Fabiana Ribas fala sobre presença emocional, escuta e constância no cotidiano como base para relações seguras entre pais, filhos e cuidadores.

E se o que seus filhos mais precisam não for perfeição, mas presença? Em um tempo marcado por rotinas aceleradas, cobranças constantes e expectativas irreais sobre a parentalidade, a terapeuta de família e casal e orientadora familiar Fabiana Ribas chama a atenção para um ponto essencial das relações familiares: o vínculo entre pais e filhos não nasce do acerto constante, mas da presença possível no dia a dia.

É esse vínculo, construído no cotidiano real, que sustenta a segurança emocional e favorece a cooperação infantil.

Segundo Fabiana, muitos pais acreditam que precisam acertar sempre para criar uma relação saudável com os filhos. No entanto, o que as crianças mais precisam é de constância emocional.

“O vínculo não se constrói nos momentos ideais, nas fotos bonitas ou quando tudo está organizado. Ele nasce no cotidiano real, nos dias comuns, nos erros que são reparados e na presença que permanece, mesmo quando o adulto está cansado”, explica.

Presença e escuta emocional

Para a profissional, crianças não esperam adultos perfeitos, mas adultos emocionalmente disponíveis.

“Quando um pai ou uma mãe consegue dizer: ‘Hoje eu estou cansado, mas quero te ouvir’, essa criança aprende algo muito poderoso: o amor não depende de desempenho, depende de conexão”, destaca Fabiana.

Esse tipo de relação fortalece a segurança emocional, base do desenvolvimento saudável. Crianças que se sentem seguras tendem a se expressar melhor, confiar nos adultos e lidar com frustrações de forma mais equilibrada.

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Outro ponto abordado por Fabiana é a relação direta entre escuta emocional e cooperação. Para ela, muitos conflitos diários não estão ligados à desobediência, mas à falta de compreensão.

“A criança coopera mais quando se sente compreendida. Quando o adulto valida o sentimento antes de corrigir o comportamento, o corpo da criança relaxa e a defensividade diminui”, afirma.

Fabiana explica que compreender não significa concordar com tudo, mas reconhecer a emoção por trás da atitude.

“Antes de pedir que a criança organize algo ou mude um comportamento, dizer ‘eu sei que você está cansado’ ou ‘eu percebo que isso te frustrou’ faz toda a diferença”, pontua.

Menos confronto, mais parceria

Na prática, a terapeuta observa que famílias que investem em vínculo e escuta enfrentam menos confrontos no dia a dia.

“A cooperação não nasce do medo ou do controle, nasce da relação. Quando a criança se sente vista e respeitada, ela naturalmente se abre para a parceria”, ressalta.

Fabiana reforça que esse processo é construído aos poucos, com gestos simples e repetidos diariamente.

“São pequenas atitudes que parecem comuns, como um diálogo curto, um pedido feito com empatia ou um momento de atenção verdadeira, que constroem relações fortes”, conclui.