
Março Amarelo chama atenção para a endometriose, doença que pode causar infertilidade. Avanços na fertilização in vitro ajudam mulheres a engravidar mesmo com a doença
O que acontece quando a dor menstrual deixa de ser apenas um incômodo e passa a interferir no sonho de ser mãe?
Para muitas mulheres, a resposta está na endometriose. A doença inflamatória crônica afeta milhões de brasileiras em idade reprodutiva e se tornou uma das principais causas de infertilidade feminina no mundo. Durante o Março Amarelo, campanha de conscientização sobre o tema, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do acesso a tratamentos que preservem a fertilidade.
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, cresce fora da cavidade uterina. Esse tecido pode atingir ovários, trompas, intestino e outros órgãos da região pélvica, criando um ambiente inflamatório no organismo.
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Além da dor intensa, a doença pode dificultar a gravidez.
Segundo especialistas, os sintomas mais comuns incluem cólicas menstruais incapacitantes, dor durante as relações sexuais, fadiga persistente e alterações intestinais ou urinárias. Mesmo com sinais claros, muitas mulheres passam anos sem diagnóstico.
Segundo o médico Alfonso Massaguer, diretor da Clínica Mãe e especialista em reprodução humana assistida, isso acontece porque a dor menstrual ainda é frequentemente normalizada.
“Muitas mulheres são orientadas a suportar o desconforto em silêncio. Quando chegam ao consultório de reprodução humana, a doença já comprometeu a anatomia da pelve e a reserva ovariana”, afirma.
De acordo com ele, a conscientização é fundamental.
“Sentir dor não é normal. Buscar ajuda cedo pode preservar a qualidade de vida e também o futuro reprodutivo dessa mulher”, destaca.
O impacto da endometriose na fertilidade
Quando não tratada, a endometriose pode provocar aderências e obstruções nas trompas, dificultando o encontro entre o óvulo e o espermatozoide.
Além disso, o ambiente inflamatório causado pela doença pode prejudicar a qualidade dos óvulos e a receptividade do útero, reduzindo as chances de gravidez espontânea.
Esses fatores fazem com que muitas mulheres enfrentem longos períodos de tentativas sem sucesso para engravidar.
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Preservação da fertilidade ganha importância no tratamento
Com o diagnóstico confirmado, o acompanhamento médico passa a considerar não apenas o controle da dor, mas também a preservação da fertilidade.
Em casos mais avançados, pode ser indicada a laparoscopia, cirurgia que remove focos da doença na cavidade abdominal e pélvica. No entanto, procedimentos realizados diretamente nos ovários podem reduzir a reserva ovariana.
Por isso, cada vez mais especialistas orientam o congelamento de óvulos antes de cirurgias.
“A preservação da fertilidade precisa ser discutida desde o diagnóstico. O congelamento de óvulos funciona como um seguro biológico, permitindo que a mulher trate a doença com tranquilidade e sem a pressão do tempo”, explica Massaguer.
Segundo ele, essa estratégia ajuda a devolver à paciente o controle sobre suas decisões reprodutivas.
Fertilização in vitro amplia as chances de gravidez
Quando a gravidez natural se torna difícil ou inviável, a fertilização in vitro (FIV) surge como uma alternativa segura.
O procedimento consiste na coleta dos óvulos diretamente dos ovários e na fecundação em laboratório. Depois, os embriões formados são transferidos para o útero.
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Essa técnica permite contornar os obstáculos causados pela endometriose, como as obstruções nas trompas e o ambiente inflamatório da pelve.
Além disso, o processo possibilita a seleção dos embriões com maior potencial de implantação, aumentando as chances de sucesso do tratamento.
“A fertilização in vitro mudou a história da endometriose. Hoje conseguimos retirar a fecundação do ambiente hostil causado pela doença e realizar esse processo em laboratório, com controle total das condições”, afirma o especialista.
Para muitas pacientes que enfrentaram anos de dor e frustração, a tecnologia representa uma nova possibilidade.
“A gravidez saudável e o nascimento de um bebê são realidades possíveis para a mulher com endometriose atualmente”, conclui Massaguer.



