
Especialistas da Unimed Chapecó explicam sinais, causas e quando buscar ajuda diante do aumento de casos entre adolescentes e impacto na autoestima
Olhar no espelho e não se reconhecer. Sentir culpa após comer. Ter medo constante de engordar. Esses sinais, muitas vezes silenciosos, fazem parte da rotina de adolescentes que enfrentam transtornos alimentares. O problema cresce no Brasil e exige atenção de famílias e educadores.
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que 4,7% dos brasileiros convivem com algum transtorno alimentar, número acima da média global. Entre jovens, o cenário preocupa ainda mais. Cerca de 10% apresentam condições como anorexia, bulimia ou compulsão alimentar.
A nutricionista Luiza Hammerschmitt Chiappa, da Unimed Chapecó, explica que esses transtornos têm características diferentes, mas um ponto em comum.
“Todos envolvem uma relação complexa com a alimentação, o corpo e a autoestima”, afirma.
A anorexia se manifesta pela restrição extrema de alimentos e perda de peso significativa. A bulimia envolve episódios de compulsão seguidos de comportamentos compensatórios, como vômitos ou uso de laxantes. No transtorno de compulsão alimentar, a ingestão ocorre de forma descontrolada, sem compensação posterior.
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Além disso, fatores biológicos, psicológicos e ambientais se combinam. Ansiedade, depressão, pressão estética e até o ambiente familiar podem influenciar o desenvolvimento dessas condições.
Sinais de alerta no comportamento e no humor
A adolescência é uma fase de construção da autoestima. Nesse período, a influência externa tem peso. Redes sociais, padrões de beleza e comparações constantes podem distorcer a percepção do próprio corpo.
A psicóloga Daiane de Lisboa de Oliveira alerta para mudanças que merecem atenção. “Perda ou ganho de peso repentino, isolamento social, recusa em participar das refeições e alterações de humor são sinais importantes”, explica.
Outros comportamentos também chamam atenção. Uso de roupas largas para esconder o corpo, preocupação excessiva com aparência e afastamento de atividades antes prazerosas podem indicar sofrimento emocional.
O diálogo aberto é um caminho possível. Conversar sem julgamentos ajuda o adolescente a se sentir seguro para falar. Incentivar hábitos equilibrados e evitar críticas à aparência também faz diferença.

Impactos que vão além da alimentação
A distorção da imagem corporal afeta mais do que a relação com a comida. Ela interfere na forma como o adolescente se vê e se posiciona no mundo.
Segundo Daiane, isso pode gerar insegurança, ansiedade e isolamento.
“A insatisfação com o corpo impacta relações sociais, desempenho escolar e bem-estar”, destaca.
Com o tempo, comportamentos prejudiciais podem se intensificar. Dietas restritivas ou episódios frequentes de compulsão comprometem a saúde física e emocional.
O acompanhamento psicológico ajuda a reconstruir a percepção de si mesma. É um processo que exige tempo, mas traz resultados importantes para a qualidade de vida.
Quando procurar ajuda
O momento de buscar apoio chega quando os sinais se tornam persistentes. Mudanças claras no comportamento, preocupação constante com o peso e isolamento são alertas.
As especialistas reforçam a importância do cuidado multidisciplinar. Médico, psicólogo e nutricionista devem atuar juntos. Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores são as chances de recuperação.
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A família também tem papel central. Um ambiente acolhedor e atento contribui para o processo. Cada caso é único e precisa de um acompanhamento personalizado.
Falar sobre o tema é um passo importante. Identificar os sinais pode evitar que o problema avance em silêncio.





