Bruxismo já afeta cerca de 40% dos brasileiros e pode causar dores, desgaste dentário e impactos na qualidade de vida

Você acorda com dor de cabeça, sente a mandíbula cansada ao longo do dia ou percebe que seus dentes estão mais sensíveis? Esses sinais podem estar relacionados ao bruxismo, um problema cada vez mais comum e que tem ligação direta com o estresse e a ansiedade.

Caracterizado pelo hábito involuntário de apertar ou ranger os dentes, o bruxismo deixou de ser visto apenas como uma questão odontológica e passou a ser considerado um reflexo da forma como o corpo reage às tensões do dia a dia. O problema pode acontecer durante o sono ou mesmo enquanto a pessoa está acordada, muitas vezes sem que ela perceba.

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A rotina acelerada, a pressão profissional, as preocupações financeiras e a sobrecarga emocional têm contribuído para o aumento dos casos. Um estudo publicado na revista científica Brazilian Journal of Pain mostrou que 76% dos participantes relataram o surgimento ou agravamento do hábito de ranger ou apertar os dentes em períodos de maior estresse e nervosismo.

Atualmente, estima-se que o bruxismo atinja cerca de 40% da população brasileira, um índice superior às médias observadas em outros países.

Sinais que não devem ser ignorados

Segundo a cirurgiã-dentista Brunna Bastos, mestre pela Faculdade de Odontologia da USP, muitas pessoas convivem com o problema durante anos sem perceber.

“Na prática, o corpo utiliza a musculatura mastigatória como uma válvula de escape para as tensões cotidianas. Muitas vezes, o paciente só procura ajuda quando surgem sintomas como dor na mandíbula, sensibilidade nos dentes ou dores de cabeça frequentes”, explica.

O movimento repetitivo e a pressão constante exercida sobre os dentes podem provocar desgaste do esmalte dentário, microfissuras, fraturas e comprometimento da articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos da boca.

Além disso, o problema pode desencadear dores na face, no pescoço e até nos ombros, afetando diretamente o bem-estar e a qualidade do sono.

Outro impacto pouco conhecido ocorre nos tecidos moles da boca. Dentes desgastados ou fraturados podem criar pequenas áreas cortantes que machucam a língua e a parte interna das bochechas, favorecendo o surgimento de feridas e inflamações.

Cuidar da mente também protege o sorriso

O tratamento do bruxismo vai além dos cuidados odontológicos. Especialistas destacam que reduzir os níveis de estresse é uma das medidas mais importantes para controlar o problema.

Atividades físicas, momentos de lazer, técnicas de relaxamento, psicoterapia e uma rotina de sono adequada podem ajudar a diminuir a tensão acumulada pelo organismo.

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No dia a dia, também é importante investir em uma higiene bucal cuidadosa. Escovas com cerdas ultramacias e produtos indicados para dentes sensíveis ajudam a proteger estruturas já fragilizadas pelo atrito constante.

Quando existem lesões na mucosa bucal, recursos de proteção podem ser indicados para evitar novos machucados e permitir a recuperação dos tecidos.

Mais do que preservar a estética do sorriso, cuidar do bruxismo significa olhar para a saúde de forma integral. Afinal, muitas vezes o corpo encontra maneiras silenciosas de mostrar que está sobrecarregado. E os dentes podem ser um dos primeiros lugares onde esse alerta aparece.