
Distensão abdominal persistente pode estar ligada a intolerâncias, alterações intestinais ou doenças mais graves, exigindo atenção aos sinais do corpo e avaliação médica adequada.
Sentir a barriga inchada ao longo do dia é comum. Muitas mulheres convivem com esse desconforto e acabam tratando como algo normal. Mas quando esse sintoma se repete com frequência, o corpo pode estar pedindo atenção.
O gastroenterologista Nelson Cathcart Jr. explica que a distensão abdominal constante não deve ser ignorada. Segundo ele, sentir-se estufada todos os dias não é considerado normal, principalmente quando o quadro dura mais de um mês ou vem acompanhado de outros sinais.
Entre os alertas estão perda de peso sem explicação, presença de sangue nas fezes, anemia e mudanças persistentes no funcionamento do intestino. Nesses casos, a orientação é buscar avaliação médica o quanto antes.
O que pode causar a barriga inchada
As causas da distensão abdominal são variadas e, muitas vezes, estão ligadas ao funcionamento do intestino.
As intolerâncias alimentares estão entre os motivos mais comuns. Não envolvem apenas a lactose, mas também substâncias como frutose e frutanos, presentes em alimentos do dia a dia, como frutas, vegetais e cereais.
Doenças funcionais, como a síndrome do intestino irritável e a constipação, também aparecem com frequência. Além disso, alterações na microbiota intestinal, conhecidas como disbioses, podem provocar inchaço e desconforto.
::: Leia mais >>> Carla explica como a saúde intestinal pode devolver energia às mulheres
Entre essas condições estão o SIBO, que é o supercrescimento bacteriano no intestino delgado, e o IMO, relacionado a micro-organismos produtores de metano.
O médico também chama atenção para outras possibilidades.
“Doenças relacionadas ao glúten, inflamações intestinais e até condições ginecológicas, como endometriose e tumores de ovário, podem provocar a sensação de barriga inchada.”
Em alguns casos, a distensão pode estar associada a doenças mais graves, como câncer de intestino, fígado ou peritônio. Por isso, observar o contexto dos sintomas é essencial.
Exames ajudam a identificar a causa
Para entender a origem do problema, existem exames específicos. Entre eles estão os testes respiratórios, que têm sido cada vez mais utilizados.
Esse tipo de exame é não invasivo e permite identificar intolerâncias alimentares e alterações na microbiota. Ele funciona a partir da análise dos gases produzidos no intestino e eliminados pela respiração.
::: Veja mais >>> Cirurgia bariátrica não é atalho e exige mudança de vida
De acordo com o especialista, os testes ajudam a diferenciar quadros que costumam gerar confusão, como intolerâncias e supercrescimento bacteriano.
“Dependendo dos sintomas, outros exames podem ser indicados, como endoscopia, colonoscopia, ultrassonografia, tomografia ou ressonância. A escolha vai depender da avaliação clínica de cada paciente.”
Hábitos que fazem diferença no dia a dia
Além do diagnóstico, a rotina também influencia diretamente na sensação de inchaço.
Segundo o especialista, comer rápido, exagerar nas quantidades ou consumir muitas bebidas gaseificadas pode aumentar a fermentação no intestino e piorar o desconforto. O estresse e a má qualidade do sono também impactam o funcionamento digestivo.
“Algumas mudanças simples podem ajudar no dia a dia. Comer com mais calma, evitar grandes volumes de comida, praticar atividade física e cuidar do sono são medidas que contribuem para o equilíbrio intestinal.”
Outro ponto importante é evitar cortar alimentos por conta própria. Restringir a alimentação sem orientação pode mascarar sintomas e atrasar diagnósticos importantes.
Observar o próprio corpo é um passo importante. Quando o desconforto deixa de ser ocasional e passa a fazer parte da rotina, vale investigar. O intestino costuma dar sinais claros de que algo não está bem. Ouvir esses sinais pode fazer toda a diferença.





