Após diagnóstico de câncer gástrico avançado, Roze Santos enfrenta tratamento, muda hábitos, ressignifica a vida e compartilha aprendizados sobre fé, saúde, prioridades e recomeço.

Roze Santos já conhecia o ritmo acelerado de quem constrói um negócio. Trabalhava muito, cuidava da família e mantinha a rotina cheia. Até o corpo começar a dar sinais.

A dor ao comer, os vômitos frequentes e a perda de peso vieram primeiro. Depois, o diagnóstico. Um câncer gástrico avançado, já com metástase. A notícia interrompeu a rotina e trouxe uma pergunta difícil de evitar: por quê?

“Eu me perguntava por que comigo. Minha vida estava boa, tudo estava no lugar. Foi bem difícil.”

Nos primeiros dias, o medo ganhou espaço. Medo do tratamento, medo da quimioterapia, medo de não conseguir seguir. Ainda assim, ela precisou seguir. Tinha duas filhas para olhar e uma vida inteira pela frente.

O impacto não demorou a aparecer. Roze passou a não conseguir se alimentar, precisou de sonda e enfrentou uma fase marcada por fraqueza e fome. O trabalho, que sempre esteve no centro da rotina, teve que parar.

“Eu tive que fechar as portas da estética. Não tinha condições de trabalhar. Foi uma fase muito difícil.”

A rotina que antes girava em torno do trabalho precisou dar lugar a algo novo. E, no começo, aceitar isso foi uma das partes mais duras.

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Mudanças que não se escolhem, mas precisam ser vividas

O tratamento trouxe uma transformação completa. A alimentação mudou, o corpo mudou, o tempo passou a ter outro significado. Os encontros com amigos diminuíram. A energia já não era a mesma.

“Foi uma mudança drástica. Eu precisei entender que a minha vida não seria mais como antes.”

A cirurgia também deixou marcas. A retirada do estômago e de outros órgãos trouxe um novo jeito de viver. Comer passou a ser um desafio. Adaptar-se, uma necessidade diária.

Mesmo com apoio, houve momentos de solidão. Aqueles silenciosos, difíceis de explicar.

“Mesmo rodeada de pessoas, muitas vezes eu me senti sozinha. A mente da gente sabota. Você pensa coisas que não queria pensar.”

Para seguir, Roze buscou apoio onde conseguiu. Nos amigos, na família, nas mensagens que recebia. E também na fé.

“Eu rezei muito. Pedi muito a Deus. Foi o que me sustentou.”

A decisão de viver

Aos poucos, algo começou a mudar. Mesmo no meio do tratamento, Roze encontrou formas de se manter ativa. Quando conseguia, voltava ao trabalho. Não por obrigação, mas por necessidade emocional.

“Trabalhar me fazia bem. Me tirava da cama. Me fazia sentir viva.”

Ela também começou a compartilhar sua rotina nas redes sociais. Mostrava o dia a dia, os desafios, os sentimentos. E recebeu de volta apoio, orações e palavras que ajudaram a seguir.

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A força, segundo ela, veio de vários lugares. Da família, das filhas, dos amigos. Mas principalmente de uma decisão interna.

“A vontade de viver foi o que mais me ajudou. Eu nunca pensei no pior. Sempre pensei que ia dar certo.”

O que muda quando a vida para

Com o tempo, os aprendizados começaram a aparecer. E mudaram a forma como Roze vê a vida.

“Aprendi que trabalhar não é tudo. A gente precisa trabalhar para viver, não viver para trabalhar.”

A relação com o dinheiro e com as coisas materiais também mudou.

“Dinheiro não compra saúde. Quando eu estava no hospital, não tinha nada que pudesse resolver.”

Ela também fala sobre perdão. Sobre deixar mágoas para trás e aliviar o próprio coração. “Eu tinha muita coisa guardada. Mágoas pequenas. Tirei tudo de dentro de mim. Hoje eu me sinto leve.”

A fé ganhou um novo significado. Deixou de ser hábito e passou a ser presença.

“Aprendi que rezar é sentir. Não é só falar.”

Hoje, Roze valoriza o simples. Um copo de água. Um abraço. Um elogio. Pequenos gestos que antes passavam despercebidos.

Uma nova forma de viver

Dois anos depois, Roze se define de forma diferente.

“Hoje, eu sou uma mulher mais forte, mais leve e muito grata.”

Ela voltou a estudar, retomou a rotina aos poucos e passou a olhar para a vida com mais presença. Sem pressa. Um dia de cada vez.

“Eu não tenho mais medo. Nada do que vier pela frente vai ser maior do que o que eu já enfrentei.”

O cuidado consigo mesma também ganhou prioridade. Fazer o cabelo, cuidar da aparência, escolher estar bem. Não por vaidade, mas por respeito ao próprio processo.

“Eu nunca parei de me cuidar. Isso ajuda a gente a se sentir viva.”

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Uma mensagem para outras mulheres

Ao olhar para trás, Roze sabe que sua história não é única. Muitas mulheres passam por diagnósticos semelhantes todos os dias.

E o que ela tem a dizer é direto: “Seja forte. Não aceite a doença como se fosse sua. Eu dizia para mim que aquilo não era meu.”

Ela também fala sobre a importância da alimentação, do cuidado com o corpo e da busca por apoio. Mas reforça algo que, para ela, fez diferença.

“Trate a doença como uma formiguinha, não como um elefante.”

E completa: “Viva. Se cuide. Se arrume. Faça o que te faz bem. Isso também faz parte do tratamento.”

A história de Roze não é sobre negar a dor. É sobre atravessar. Com medo, com dúvidas, com dias difíceis. Mas com decisão. Ela não romantiza o caminho. Mas mostra que, mesmo quando tudo muda, ainda é possível reconstruir.

E, às vezes, viver passa a ter outro significado. Mais simples. Mais presente. Mais verdadeiro.