
Empreendedora de Nonoaí construiu uma tenda de produtos coloniais às margens da estrada e encontrou no microcrédito apoio para ampliar o negócio e sustentar a família
No alto do Tope da Serra, em Nonoaí, no Noroeste do Rio Grande do Sul, Eloiva de Oliveira, 60 anos, recebe diariamente moradores, viajantes e caminhoneiros em uma tenda de produtos coloniais instalada às margens da estrada.
No balcão e nas prateleiras estão alimentos produzidos na propriedade, receitas preparadas pela família e produtos adquiridos de fornecedores da região. Mais do que um ponto de venda, o espaço representa uma mudança de vida construída ao longo de anos de trabalho.
Muito antes de ser dona da propriedade, Eloiva já imaginava seu futuro naquele lugar.
“Essa chácara ainda será minha e eu vou crescer aqui”, dizia a si mesma quando ainda trabalhava na lavoura.
O desejo se concretizou. Hoje, a propriedade e a tenda são sua principal fonte de renda e também ajudam no sustento das filhas, Raíssa e Sandra, e dos netos.
Nascida em Chapecó, Santa Catarina, Eloiva mudou-se com a família para Nonoaí aos sete anos. Cresceu acompanhando o trabalho no campo e passou parte da vida adulta como agricultora.
Mais tarde, trabalhou na cozinha de um restaurante do município. As duas experiências acabaram se encontrando no empreendimento que mantém atualmente: de um lado, o conhecimento sobre produção rural; de outro, a experiência com a comida caseira.
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Produtos coloniais mantêm a ligação com a propriedade
Boa parte do que Eloiva comercializa preserva essa relação com o campo e com a produção artesanal. A cana-de-açúcar cultivada na propriedade dá origem ao caldo de cana e ao açúcar mascavo vendidos na tenda. A cachaça de alambique também é produzida no local.
Entre os outros produtos estão banha de porco, mel, leite, pães, cucas, frutas da estação, queijo, salame, grostoli e salgadinhos de palito.
A filha Raíssa também participa da produção e prepara trufas para venda. O vinho colonial, trazido de Erechim, completa a variedade de produtos disponíveis.
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Grande parte dos clientes é formada por pessoas que circulam pela rodovia, principalmente caminhoneiros. Com o tempo, Eloiva aprendeu a entender o que esse público procura durante as paradas.
“Meus clientes são do trecho, principalmente caminhoneiros. Eles não gostam de luxo, gostam de comida caseira”, conta.
Microcrédito ajudou Eloiva a começar o negócio
A vontade de empreender já existia, mas Eloiva precisava de recursos para transformar o projeto em realidade. Em 2014, quando decidiu construir a tenda, procurou crédito em diferentes instituições financeiras e recebeu negativas.
A situação mostrou uma dificuldade enfrentada por muitos pequenos empreendedores: conseguir recursos justamente no início do negócio, quando ainda não há patrimônio, estrutura ou histórico empresarial suficientes para cumprir as exigências do sistema financeiro tradicional.
Foi nesse período que Eloiva chegou à Credioeste. A instituição analisou seu projeto e liberou o primeiro crédito, no valor de R$ 5 mil. O recurso foi utilizado nos primeiros passos para colocar a tenda em funcionamento.
Dois anos depois, em 2016, Eloiva conseguiu uma nova operação de crédito, desta vez de R$ 8 mil. O dinheiro ajudou na construção de uma casa de madeira de sete metros por oito metros, anexa ao empreendimento, onde ela passou a morar com as filhas.
Em 2018, um terceiro crédito, de R$ 10 mil, permitiu concluir a residência e construir o banheiro.
Nos anos seguintes vieram mais quatro operações. Os recursos foram utilizados no piso da tenda, reformas, ampliação do espaço e outros investimentos na casa e no empreendimento.
Ao todo, foram sete operações de crédito acompanhando diferentes fases da construção do negócio e do patrimônio da família.
“Não teria conseguido sem a Credioeste. Eles confiaram em mim quando ninguém mais confiou. Sempre que preciso, sei que posso contar com eles”, afirma Eloiva.
Desde 2020, ela é atendida pela agente de crédito Claudete Maria Grassi.
Aos 60 anos, Eloiva ainda planeja ampliar a tenda
Mesmo depois de tudo o que construiu, Eloiva continua pensando nos próximos passos. Entre os projetos está a construção de um deck para oferecer mais espaço e conforto aos clientes durante o verão.
Ela também pretende começar a vender pastel acompanhado de caldo de cana e pensa em oferecer almoço caseiro para quem passa pela estrada.
Outro desejo envolve diretamente a família. Raíssa já participa da produção de alguns alimentos comercializados na tenda. Sandra, atualmente, trabalha fora. Eloiva espera que, no futuro, as duas filhas possam encontrar no empreendimento uma possibilidade de renda e independência.
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Aos 60 anos, ela não fala em diminuir o ritmo. Fala em ampliar, produzir mais e continuar construindo.
A tenda ocupa hoje o mesmo lugar que Eloiva imaginava conquistar quando ainda trabalhava na lavoura. O que começou como um pensamento repetido em silêncio tornou-se fonte de renda, casa, negócio e projeto para outras gerações da família.
“Aqui construí minha vida, criei minhas filhas e meus netos. Quero continuar crescendo junto com eles”, resume.




