
Estudo investiga se amora-preta e Dong Quai podem reduzir a frequência e a intensidade das ondas de calor e melhorar a qualidade de vida das mulheres
Ondas de calor que surgem de repente, provocam suor, desconforto e podem até interromper o sono fazem parte da rotina de muitas mulheres durante o climatério e a menopausa. Conhecidos também como fogachos, esses episódios estão entre os sintomas vasomotores mais comuns dessa fase da vida.
Uma pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) investiga se duas plantas medicinais podem ajudar a reduzir esses sintomas. O estudo avalia tinturas de Morus nigra, conhecida como amora-preta, e Angelica sinensis, chamada de Dong Quai.
O objetivo é verificar se o uso desses fitoterápicos pode diminuir a frequência e a intensidade dos fogachos e contribuir para a qualidade de vida de mulheres na pós-menopausa. A pesquisa também analisa possíveis efeitos sobre a saúde cardiovascular e parâmetros laboratoriais.
Por que os fogachos acontecem na menopausa?
Os fogachos estão relacionados às alterações hormonais que ocorrem durante a transição para a menopausa. Eles podem provocar uma sensação repentina de calor, principalmente no rosto, pescoço e peito, acompanhada ou não de suor e palpitações.
Quando acontecem durante a noite, podem prejudicar o sono. Em algumas mulheres, os episódios se repetem várias vezes ao dia e interferem na concentração, no humor, no trabalho e nas atividades cotidianas.
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A terapia hormonal é considerada o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores moderados e intensos. Atualmente, entidades médicas recomendam que a decisão seja individualizada, levando em conta idade, tempo desde a menopausa, sintomas, histórico de saúde e possíveis contraindicações.
Para a maioria das mulheres saudáveis com sintomas, com menos de 60 anos ou nos primeiros dez anos após o início da menopausa, a relação entre benefícios e riscos tende a ser favorável.
Existem, porém, mulheres que não podem ou preferem não utilizar hormônios. É nesse cenário que pesquisadores estudam outras possibilidades de tratamento.
Amora-preta e Dong Quai são estudadas contra os fogachos
A pesquisa da UFSCar integra o pós-doutorado de Patricia Correa Dias e conta com a participação da doutoranda Rita Cristina Cotta Alcântara, do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas. O estudo é orientado pelo professor Gerson Jhonatan Rodrigues, do Departamento de Ciências Fisiológicas da universidade.
As plantas escolhidas para a pesquisa são a amora-preta e o Dong Quai, que já possuem histórico de uso tradicional. Segundo os pesquisadores, estudos anteriores apontam possíveis efeitos metabólicos e anti-inflamatórios, mas são necessárias pesquisas clínicas para avaliar com maior segurança sua eficácia em mulheres na menopausa.
O estudo foi planejado como ensaio clínico com comparação entre o tratamento e um grupo placebo.
“Na prática, isso pode abrir caminho para novas opções terapêuticas para mulheres que não podem ou não desejam usar hormônios”, explica Rodrigues.
Pesquisa acompanha também a saúde cardiovascular
O trabalho não analisa apenas a quantidade de fogachos relatados pelas participantes.
Durante o estudo, as mulheres passam por questionários, avaliações antropométricas e exames laboratoriais. Os pesquisadores também observam indicadores relacionados à qualidade de vida e ao risco cardiovascular.
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A linha de pesquisa coordenada por Gerson Rodrigues na UFSCar estuda, entre outros temas, os efeitos de fitoterápicos e outras estratégias sobre inflamação, hipertensão, disfunção endotelial, obesidade e menopausa.
A proposta é reunir evidências que ajudem a compreender se essas plantas realmente podem ter algum papel no controle dos sintomas e em quais condições poderiam ser utilizadas com segurança.
Planta medicinal também exige orientação
O fato de um produto ser de origem vegetal não significa que ele possa ser utilizado indiscriminadamente.
Plantas medicinais e fitoterápicos contêm substâncias capazes de produzir efeitos no organismo e podem apresentar contraindicações, interagir com medicamentos ou não ser indicados para determinadas condições de saúde.
Por isso, mulheres que enfrentam fogachos frequentes ou outros sintomas da menopausa devem conversar com um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento, inclusive aqueles considerados naturais.
A pesquisa da UFSCar foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da universidade, sob o registro CAAE 90485525.1.0000.5504.




