Campanha Maio Furta-Cor reforça que acolhimento, escuta e rede de apoio ajudam mulheres a viver maternidade com mais equilíbrio

A maternidade ainda costuma aparecer em fotos perfeitas, vídeos emocionantes e relatos que parecem dar conta de tudo. Mas fora das imagens organizadas e dos momentos compartilhados nas redes sociais, existe uma experiência que também pode incluir medo, cansaço, dúvidas, solidão e mudanças emocionais profundas.

É justamente para ampliar esse olhar que surgiu a campanha Maio Furta-Cor, movimento que chama atenção para a saúde mental materna e convida a sociedade a enxergar a maternidade em todas as suas cores. O nome representa isso: emoções que mudam, se misturam e coexistem. Alegria, amor, insegurança, força, exaustão e vulnerabilidade podem aparecer ao mesmo tempo.

Segundo a psicóloga Deisy Parnof, da Unimed Personal, um dos principais objetivos da campanha é romper com a ideia de que existe uma forma ideal de viver a maternidade.

“A maternidade não é única. Ela se mistura com situações, sentimentos e diferentes culturas. Não existe apenas uma forma de vivenciar a gestação, o parto e o pós-parto. Precisamos olhar para essa mãe como alguém que também necessita de cuidado”, destaca.

Ela explica que o cuidado com a saúde emocional deve começar ainda na gestação e continuar depois do nascimento do bebê. Acompanhamento psicológico, espaços de escuta e fortalecimento da rede de apoio ajudam a reduzir o sofrimento emocional e permitem que a mulher atravesse esse período com mais segurança.

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Quando o cansaço deixa de ser apenas cansaço

Mudanças físicas e hormonais fazem parte da gestação e do pós-parto. Mas existem também transformações emocionais intensas que nem sempre recebem atenção.

Muitas mulheres constroem expectativas sobre como será a maternidade e, quando a realidade aparece de forma diferente, sentimentos como culpa, frustração e sensação de incapacidade podem surgir.

Alguns sinais merecem atenção, especialmente quando persistem e começam a afetar a rotina ou o vínculo da mulher consigo mesma e com o bebê.

Entre eles estão:

• tristeza constante
• crises frequentes de choro
• ansiedade intensa
• irritabilidade excessiva
• alterações importantes no sono e no apetite
• medo exagerado de que algo aconteça ao bebê
• isolamento social
• sensação contínua de incapacidade

Deisy reforça que sentir dificuldades não diminui ninguém como mãe e que buscar ajuda não deve ser visto como sinal de fracasso.

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A carga invisível que muitas mulheres carregam

Outro ponto que merece atenção é a carga mental materna.

Além do cuidado com os filhos, muitas mulheres continuam administrando compromissos da casa, trabalho, organização da rotina e necessidades emocionais da família inteira. Somam-se a isso as comparações nas redes sociais, o retorno ao trabalho e a ideia constante de que precisam dar conta de tudo.

Por isso, rede de apoio vai muito além de ajuda prática.

“Apoio não significa apenas ajudar nas tarefas práticas, mas também escutar sem julgamento, acolher emoções, dividir responsabilidades e incentivar momentos de descanso e cuidado pessoal”, afirma a psicóloga.

Falar sobre saúde mental materna não é tirar a beleza da maternidade. É permitir que ela exista de forma mais verdadeira.

Porque mães também precisam de espaço para sentir, descansar, pedir ajuda e serem cuidadas.

“Sentir cansaço, medo ou tristeza não faz de ninguém uma mãe pior. Toda mãe merece ser cuidada, ouvida e acolhida”, finaliza Deisy.