
Pesquisa do happn mostra que 76% das mulheres de 26 a 35 anos ouvidas estão satisfeitas com a solteirice e 75% apontam o crescimento pessoal como um dos principais benefícios dessa fase
Durante muito tempo, estar solteira foi tratado como uma condição provisória. Como se a mulher estivesse apenas esperando o próximo relacionamento começar.
Uma pesquisa divulgada pelo aplicativo de relacionamentos happn em março de 2026 mostra uma mudança nessa percepção.
Entre os usuários entrevistados, 64% afirmaram estar felizes solteiros e 55% disseram acreditar que uma vida plena não depende necessariamente de ter um parceiro.
Entre as mulheres de 26 a 35 anos, o índice de satisfação com a solteirice chega a 76%.
Outro dado ajuda a entender esse resultado: 75% dessas mulheres apontaram o autoconhecimento e o crescimento pessoal como os principais benefícios de estar solteira. Os números reforçam um comportamento que vem sendo chamado de solteirice intencional.
O que é solteirice intencional?
A expressão descreve pessoas que não enxergam a solteirice apenas como um intervalo entre relacionamentos.
Nesse período, podem ganhar espaço carreira, estudos, amizades, autonomia financeira, interesses pessoais e construção de uma rotina própria.
Não significa rejeitar o amor ou desistir de relacionamentos. Significa que estar com alguém deixa de ser condição obrigatória para considerar a vida completa.
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Karima Ben Abdelmalek, CEO e presidente do happn, afirma que os dados mostram principalmente entre as mulheres uma valorização maior do crescimento pessoal e da carreira.
Segundo ela, muitas passaram a recusar relações que não complementam suas vidas ou que são mantidas apenas pela pressão social.
Mulheres e homens vivem a solteirice de formas diferentes
A pesquisa também identificou diferenças entre homens e mulheres. Entre as mulheres de 26 a 35 anos, 75% citaram autoconhecimento e crescimento pessoal como benefícios importantes.
Entre os homens da mesma faixa etária, apenas 17% relacionaram a solteirice diretamente ao crescimento pessoal. Para eles, independência e liberdade apareceram com mais força.
A faixa etária também influencia a maneira como a solteirice é percebida. Entre os jovens de 18 a 25 anos, 41% afirmaram valorizar principalmente a oportunidade de conhecer novas pessoas.
Entre 26 e 35 anos, aumenta a associação entre solteirice e autodescoberta. Já entre mulheres com 36 anos ou mais, 36% apontaram carreira e estudos como principal fonte de realização.
Estar solteira não significa não querer relacionamento
Os dados não indicam que as mulheres deixaram de desejar relações amorosas. Mostram, porém, que o relacionamento passou a dividir espaço com outras áreas da vida.
Trabalho, amizades, família, estudos, viagens e projetos pessoais também fazem parte da construção de uma vida considerada satisfatória.
A mudança está na maneira de escolher. Em vez de começar um relacionamento apenas para não estar sozinha, parte das mulheres prefere esperar por uma relação que realmente combine com aquilo que já construiu.
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Solidão e pressão social ainda pesam
A pesquisa também mostra que estar solteira não é uma experiência livre de dificuldades. A solidão foi apontada como o principal desafio por 29% dos entrevistados. Outros 31% disseram enfrentar pressão social para estar em um relacionamento.
O medo de ficar sozinha também influencia escolhas afetivas. Entre as mulheres jovens entrevistadas pelo happn, 43% admitiram já ter permanecido em relacionamentos por mais tempo do que gostariam apenas para evitar voltar à solteirice.
Esse dado mostra que a escolha de permanecer sozinha pode exigir coragem, especialmente quando ainda existe cobrança social.
Solteirice deixou de ser uma sala de espera
A principal mudança talvez esteja justamente na forma como essa fase passou a ser encarada. Uma mulher solteira pode querer encontrar alguém. Pode não estar procurando ninguém. Pode desejar se casar no futuro.
Ou simplesmente estar satisfeita com a vida atual. A pesquisa mostra que, para uma parcela das mulheres, estar solteira deixou de significar estar incompleta.
Pode ser também um período de crescimento, autonomia e construção de uma vida que não depende da chegada de outra pessoa para começar.




