
Dermatologista Tatiane Ayumi Tokashiki explica como o frio afeta a barreira de proteção da pele e orienta cuidados para evitar ressecamento, sensibilidade e efeito rebote
Com a chegada do inverno, a pele costuma dar sinais claros de que precisa de mais atenção. Ressecamento, descamação, coceira, aspereza, lábios rachados e sensação de repuxamento ficam mais frequentes nos dias frios. O motivo está na combinação entre baixas temperaturas, ar seco, banhos mais quentes e menor ingestão de água.
A médica dermatologista Tatiane Ayumi Tokashiki, professora do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão, no Paraná, explica que o frio age como uma espécie de “tempestade” contra a hidratação da pele.
Segundo ela, no inverno, há um comprometimento na produção e na organização das gorduras naturais da pele, como ceramidas e ácidos graxos. Essas substâncias formam a barreira de proteção cutânea, chamada de estrato córneo. Quando essa barreira fica fragilizada, a água que deveria permanecer dentro da pele evapora com mais facilidade.
“Com isso, a água que deveria ficar dentro da pele evapora com muito mais facilidade, gerando aspereza e fissuras. No frio, os sinais de desconforto ficam amortecidos. Assim, a pessoa demora mais para sentir que a pele está seca e só percebe o problema quando o quadro já está avançado”, explica a dermatologista.
Esse processo pode deixar a pele mais sensível, irritada e vulnerável a pequenas fissuras. Em algumas pessoas, também pode ocorrer o chamado efeito rebote, quando a pele, agredida pelo excesso de banho quente, sabonete ou limpeza intensa, passa a produzir mais oleosidade como tentativa de compensação.
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Hidratação começa logo após o banho
Um dos cuidados mais importantes no inverno é hidratar a pele no momento certo. De acordo com Tatiane, o ideal é aplicar o creme hidratante nos primeiros três minutos após o banho, quando a pele ainda está levemente úmida.
Esse detalhe simples faz diferença porque ajuda a reter a água na pele e melhora a absorção do produto. Esperar a pele secar completamente reduz parte do benefício da hidratação.
“Com a pele ainda ligeiramente úmida, a barreira cutânea está aberta e a absorção é muito mais eficiente. Esperar a pele secar completamente reduz o benefício”, orienta.
Para funcionar bem, o hidratante precisa cumprir duas funções: repor água e formar uma barreira de proteção. Ingredientes como ácido hialurônico e glicerina ajudam a atrair água para a pele. Já as ceramidas e a manteiga de karité ajudam a selar essa hidratação.
Áreas como lábios, canelas, cotovelos e calcanhares merecem atenção extra. Os lábios, por exemplo, não possuem glândulas sebáceas naturais e tendem a ressecar com mais facilidade.
Protetor solar continua necessário
Mesmo nos dias nublados e frios, o protetor solar não deve sair da rotina. A dermatologista lembra que a radiação ultravioleta continua ativa no inverno, principalmente a radiação UVA, que atravessa nuvens e vidros.
Essa radiação está associada ao envelhecimento precoce da pele e pode prejudicar a barreira cutânea. A recomendação é manter o uso diário de filtro solar com, no mínimo, FPS 30.
“Mesmo em dias nublados, a radiação ultravioleta continua ativa, sendo capaz de romper a barreira cutânea e acelerar o envelhecimento precoce”, afirma Tatiane.
Cinco cuidados com a pele no inverno
- Hidrate a pele logo após o banho
Aplique o creme nos primeiros três minutos depois de sair do chuveiro. A pele ainda úmida favorece a absorção e ajuda a manter a hidratação por mais tempo. - Use protetor solar todos os dias
Mesmo sem sol aparente, a radiação UVA continua presente. O ideal é usar filtro solar com FPS 30 ou superior diariamente. - Cuide das áreas mais sensíveis
Lábios, canelas, cotovelos e calcanhares costumam ressecar mais. Reforce a hidratação nessas regiões e use produtos específicos quando necessário. - Escolha o hidratante adequado
Prefira produtos com ativos que atraem água, como ácido hialurônico e glicerina, e ingredientes que protegem a barreira da pele, como ceramidas e manteiga de karité. Quem tem pele oleosa deve optar por versões oil-free. - Beba água também no frio
A hidratação da pele também depende da hidratação do corpo. A orientação é beber cerca de dois litros de água por dia. Para quem sente mais dificuldade no inverno, chás sem açúcar, sopas e alimentos ricos em água podem ajudar.
Erros que prejudicam a pele nos dias frios
O banho quente e demorado é um dos principais vilões da pele no inverno. A água em temperatura muito alta remove a oleosidade natural e favorece o ressecamento. Em algumas peles, pode provocar o efeito rebote, com aumento da oleosidade.
Outro erro comum é usar buchas com frequência ou exagerar no sabonete. Esfregar demais a pele compromete o manto hidrolipídico, uma camada natural de proteção que ajuda a preservar a hidratação.
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Quando a pele começa a descamar, muitas pessoas tentam resolver o problema com esfoliação. No entanto, esse hábito pode piorar o quadro. A descamação indica que a barreira cutânea já está fragilizada. Esfoliar nesse momento pode aumentar a irritação e a inflamação.
Também é comum abandonar o protetor solar no inverno, associando seu uso apenas ao calor. Mas a radiação continua agindo, mesmo em dias nublados.
Tatiane também chama atenção para fatores que vão além dos cremes. O sedentarismo, o estresse e a piora da rotina no inverno podem aumentar o cortisol, hormônio que interfere na cicatrização e prejudica a barreira de proteção da pele.
No inverno, cuidar da pele não exige uma rotina complicada. Exige constância. Banhos mais curtos, água morna, hidratação logo após o banho, protetor solar diário e ingestão adequada de líquidos já fazem diferença para atravessar a estação com mais conforto e saúde.




