Falta de ar, cansaço intenso e náuseas podem ser sinais de infarto em mulheres. Especialista Carla Padro explica por que reconhecer os sintomas pode salvar vidas.

Nem sempre um infarto começa com aquela dor intensa no peito que muitas pessoas imaginam. Em algumas mulheres, os primeiros sinais podem ser confundidos com cansaço, problemas digestivos ou até desconfortos provocados pela rotina. Falta de ar, náuseas, suor frio e dores nas costas ou na mandíbula estão entre os sintomas que merecem atenção.

O problema é que nem sempre essas manifestações são associadas a uma emergência cardíaca. Isso pode atrasar a procura por atendimento médico e comprometer as chances de recuperação.

Segundo a cardiologista Carla Patrícia Silva e Prado, professora da Faculdade São Leopoldo Mandic, reconhecer os diferentes sinais de infarto é fundamental para evitar que mulheres deixem de receber atendimento no momento necessário.

“Muitas mulheres não identificam os primeiros sinais porque esperam sentir uma dor intensa no peito, como vemos com frequência nos homens. Na prática, elas podem apresentar um conjunto de sintomas mais sutis, como fadiga desproporcional, falta de ar, enjoos ou desconforto na região das costas e do pescoço. Reconhecer essas diferenças pode salvar vidas”, explica.

Por que o infarto em mulheres pode passar despercebido?

As doenças cardiovasculares estão entre os principais problemas de saúde pública no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), elas são a principal causa de morte globalmente.

Apesar disso, ainda existe a percepção de que o infarto é um problema predominantemente masculino. Essa ideia pode contribuir para que mulheres minimizem sintomas e demorem a procurar ajuda.

A American Heart Association (AHA), entidade norte-americana de referência em saúde cardiovascular, esclarece que a dor ou o desconforto no peito também é o sintoma mais comum de infarto nas mulheres. Entretanto, elas podem apresentar outros sinais, inclusive sem dor torácica evidente, dificultando o reconhecimento do problema.

Quais são os sinais de infarto em mulheres?

Os sintomas nem sempre aparecem da mesma maneira ou com a mesma intensidade. Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Falta de ar: pode surgir de repente, mesmo sem esforço físico e sem dor no peito.
  • Cansaço intenso: fadiga incomum ou desproporcional às atividades realizadas.
  • Náuseas e vômitos: manifestações que podem ser confundidas com problemas gastrointestinais.
  • Dor nas costas, pescoço ou mandíbula: desconfortos que nem sempre são associados ao coração.
  • Suor frio e tontura: sinais que podem acompanhar outros sintomas cardíacos.
  • Desconforto no peito ou na parte superior do abdômen: sensação de pressão, aperto ou dor, que pode ir e voltar.

A presença desses sintomas não significa necessariamente que a mulher esteja sofrendo um infarto. No entanto, quando surgem de forma repentina, sem explicação aparente ou combinados, precisam ser avaliados com urgência.

A recomendação é não esperar que os sinais se tornem intensos para buscar atendimento.

::: Menopausa: quais exames fazer após os 50 anos?

Menopausa também exige atenção à saúde do coração

A saúde cardiovascular feminina passa por mudanças ao longo da vida. Uma das fases que merecem atenção é a menopausa, período em que ocorrem alterações hormonais que podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular.

Com a redução dos níveis de estrogênio, podem ocorrer mudanças no metabolismo, na distribuição de gordura corporal e em fatores relacionados à saúde dos vasos sanguíneos.

Isso não significa que toda mulher na menopausa desenvolverá uma doença cardíaca. Entretanto, reforça a importância de acompanhar a pressão arterial, a glicemia, o colesterol e outros indicadores de saúde.

Além das alterações hormonais, fatores como hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, obesidade e histórico familiar também influenciam o risco de infarto.

Como prevenir o infarto em mulheres?

A prevenção não depende de uma única medida. Segundo a cardiologista Carla Patrícia, o cuidado precisa fazer parte da rotina, mesmo quando não existem sintomas.

“Cuidar do coração não começa quando surgem os sintomas. Controlar a pressão arterial, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, dormir bem e acompanhar condições como diabetes são medidas que reduzem de forma importante o risco de infarto e AVC”, afirma.

A Organização Mundial da Saúde reforça que grande parte das doenças cardiovasculares pode ser evitada ou ter seu risco reduzido com o controle dos fatores modificáveis, como alimentação inadequada, sedentarismo e tabagismo.

::: Para você >>> Estresse faz o corpo atacar os próprios dentes

Conhecer o histórico familiar, manter o acompanhamento médico e realizar os exames indicados para cada fase da vida são atitudes importantes para identificar riscos antes que surjam complicações.

Quando procurar atendimento médico?

Diante de sinais sugestivos de infarto, a orientação é procurar atendimento imediatamente. No Brasil, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo número 192.

Não é necessário que todos os sintomas estejam presentes. Também não se deve esperar que apareça uma dor forte no peito para buscar ajuda.

O tempo entre o início dos sintomas e o atendimento faz diferença na preservação do músculo cardíaco e nas possibilidades de tratamento.

Para a cardiologista, a informação é uma das principais ferramentas de prevenção. Quanto mais mulheres conhecerem os sinais de alerta e seus fatores de risco, maiores serão as possibilidades de identificar situações que exigem atenção.

Cuidar do coração também é uma forma de autocuidado. Isso inclui reconhecer as mudanças do próprio corpo, não normalizar sintomas incomuns e compreender que a saúde da mulher precisa ser prioridade em todas as fases da vida.