Pesquisa com mais de 5 mil mulheres, incluindo brasileiras, revela falta de informação sobre os efeitos hormonais na pele. Dermatologista Marcia Linhares explica as mudanças.

Ressecamento, perda de firmeza, rugas mais profundas e mudanças na textura da pele. Para muitas mulheres, esses sinais são interpretados como consequências naturais do envelhecimento. No entanto, parte dessas transformações pode estar diretamente relacionada à menopausa e à redução dos níveis hormonais.

Uma pesquisa global realizada pela Galderma, empresa especializada em dermatologia, revelou que 56% das mulheres confundiram inicialmente as alterações na pele relacionadas à menopausa com sinais do envelhecimento natural. Apenas 29% identificaram a relação entre essas mudanças e a fase hormonal.

O levantamento, conduzido pela Perspectus Global entre 25 de agosto e 1º de setembro de 2026, ouviu 5.090 mulheres que passaram ou estavam passando pela perimenopausa ou menopausa no Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e China.

Os resultados mostram que, embora a menopausa esteja cada vez mais presente nas conversas sobre saúde feminina, seus efeitos sobre a pele ainda são pouco conhecidos.

Segundo a pesquisa, uma em cada duas mulheres desconhece que as oscilações hormonais desse período podem afetar a aparência e as características da pele. Além disso, 82% das entrevistadas acreditam que compreender melhor essas transformações ajudaria a tomar decisões mais seguras sobre os cuidados diários.

O que acontece com a pele durante a menopausa?

A redução do estrogênio, um dos principais hormônios femininos, interfere na produção de colágeno, na hidratação e na elasticidade da pele.

De acordo com a Academia Americana de Dermatologia, estudos indicam que a pele feminina pode perder cerca de 30% do colágeno nos primeiros cinco anos após a menopausa. Essa redução contribui para a flacidez, o aparecimento de rugas e a perda de sustentação.

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Outro efeito é a diminuição da capacidade da pele de reter água, favorecendo o ressecamento e a sensibilidade. Algumas mulheres também percebem descamação, irritação e mudanças na textura.

Essas alterações não acontecem da mesma maneira para todas as mulheres. Fatores como genética, exposição solar, hábitos de vida e condições dermatológicas também influenciam a saúde da pele.

Dermatologista Marcia Linhares orienta sobre os cuidados

Para a dermatologista Marcia Linhares, compreender o que acontece com a pele durante a menopausa é importante para evitar dúvidas, informações equivocadas e escolhas inadequadas de tratamento.

“É comum que surjam muitas dúvidas e até mesmo alguns mitos sobre como a pele se modifica nessa fase, o que pode levar a abordagens pouco eficazes. Por isso, a avaliação com um profissional de saúde é importante para identificar essas mudanças e orientar uma rotina de cuidados individualizados e adequada às necessidades de cada paciente”, explica.

A recomendação é observar as mudanças e buscar orientação dermatológica, especialmente quando surgem ressecamento persistente, sensibilidade, irritações ou alterações que provocam desconforto.

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Como cuidar da pele na menopausa?

Nem toda mudança na pele exige procedimentos estéticos. Uma rotina de cuidados pode ajudar a preservar a hidratação, proteger contra danos solares e reduzir desconfortos.

Entre as recomendações da Academia Americana de Dermatologia estão:

  • Hidratação diária: utilizar produtos adequados ao tipo de pele, especialmente aqueles com ingredientes como ácido hialurônico e glicerina.
  • Proteção solar: aplicar diariamente protetor solar de amplo espectro, com FPS 30 ou superior, para prevenir danos causados pela radiação ultravioleta.
  • Limpeza suave: evitar sabonetes agressivos e produtos que aumentem o ressecamento.
  • Atenção à sensibilidade: observar o surgimento de irritações e evitar o uso indiscriminado de ácidos e esfoliantes.
  • Acompanhamento dermatológico: procurar orientação para avaliar manchas, lesões, acne, ressecamento persistente e outras mudanças.

O acompanhamento também ajuda a diferenciar manifestações relacionadas à menopausa de problemas dermatológicos que necessitam de investigação.

Procedimentos estéticos podem ajudar?

Além dos cuidados diários, existem tratamentos dermatológicos voltados à melhora da firmeza, hidratação e textura da pele.

Entre as opções estão os bioestimuladores de colágeno e os procedimentos com ácido hialurônico injetável. Essas técnicas têm finalidades diferentes e podem ser indicadas conforme as características da pele e os objetivos de cada paciente.

A Galderma também divulgou resultados de um estudo clínico, liderado pelo médico Andreas Nikolis e apoiado pela empresa, que avaliou a associação de dois tratamentos injetáveis em mulheres na menopausa.

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Segundo os dados apresentados pela fabricante, as participantes tiveram melhora em parâmetros relacionados à espessura, hidratação e qualidade da pele. Entretanto, os resultados devem ser interpretados considerando as características e limitações do estudo, que contou com apoio da própria empresa.

É importante destacar que os procedimentos injetáveis não são necessários para todas as mulheres e não substituem os cuidados básicos com a pele. A indicação deve considerar benefícios, riscos, contraindicações e expectativas individuais, sempre com avaliação de um profissional habilitado.

Envelhecer não significa deixar de cuidar de si

As mudanças na pele fazem parte do processo de envelhecimento, mas a menopausa acrescenta fatores hormonais que merecem atenção.

Reconhecer essas transformações não significa que toda mulher precise combater rugas, flacidez ou qualquer sinal da idade. Significa compreender o próprio corpo e ter informações para decidir como deseja cuidar de si.

A pesquisa reforça uma questão importante para a saúde feminina: quanto mais as mulheres conhecem os efeitos da menopausa, maiores são as possibilidades de fazer escolhas conscientes sobre o autocuidado.

Mais do que uma preocupação com a aparência, cuidar da pele nessa fase também envolve conforto, saúde e qualidade de vida.