
Pesquisa da Catho com 478 mulheres revela dificuldades para conciliar compromissos profissionais, consultas e exames. Levantamento também aponta atrasos na realização da mamografia e os impactos da sobrecarga feminina.
Entre reuniões, prazos, responsabilidades familiares e compromissos profissionais, cuidar da própria saúde nem sempre encontra espaço na agenda das mulheres. Uma consulta é remarcada, um exame fica para depois e o acompanhamento médico acaba sendo adiado. O que parece uma situação pontual faz parte da realidade de muitas brasileiras.
Uma pesquisa realizada pela Catho, plataforma gratuita de empregos, com 478 mulheres, revela que 37% precisam adiar ou remarcar consultas, exames e check-ups por causa da rotina de trabalho. O levantamento também aponta que 23% das entrevistadas nunca realizaram uma mamografia e 11% estão com o exame atrasado há mais de dois anos, considerando as participantes para as quais o procedimento se aplica.
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Os resultados ganham destaque durante o Outubro Rosa, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de mama. Mais do que reforçar a importância do diagnóstico precoce, os números levantam uma questão: como priorizar a saúde quando as exigências do trabalho e da vida pessoal ocupam praticamente todo o tempo?
A dificuldade de conciliar essas responsabilidades aparece em diferentes respostas. Enquanto 43% das entrevistadas afirmam conseguir organizar a rotina e cuidar da saúde sem dificuldade, outras 16% relatam que o trabalho dificulta muito esse acompanhamento. Há ainda 4% que dizem não ter o hábito de realizar acompanhamento de saúde.
Os percentuais mostram realidades distintas entre as participantes e reforçam a importância de discutir condições que permitam às mulheres cuidar da saúde sem precisar escolher constantemente entre uma consulta e suas obrigações profissionais.
Maternidade aumenta os desafios da rotina
A sobrecarga se torna ainda mais evidente entre mulheres que também precisam conciliar trabalho e maternidade.
Na pesquisa, 63% das participantes são mães ou gestantes. Dentro desse grupo, 43% apontam o acúmulo de responsabilidades profissionais e familiares como um dos principais desafios após a maternidade. Além disso, 45% afirmam que a maternidade teve impacto na evolução profissional.
Os dados revelam como as responsabilidades de cuidado podem interferir tanto na carreira quanto na disponibilidade de tempo para atender às próprias necessidades.
Em muitas situações, a mulher organiza os compromissos da família, acompanha consultas dos filhos, administra a casa e cumpre suas atividades profissionais. Nesse contexto, reservar um horário para cuidar de si pode se tornar mais uma tarefa difícil de cumprir.
Para Patrícia Suzuki, diretora de Recursos Humanos da Redarbor Brasil, detentora da Catho, a discussão sobre saúde feminina precisa envolver também as condições oferecidas no ambiente profissional.
“O fato é que falar sobre saúde da mulher no ambiente de trabalho também significa falar sobre tempo, flexibilidade e condições para que ela consiga cuidar de si. O Outubro Rosa é um momento importante para reforçar a importância da prevenção, mas o cuidado não pode depender apenas de um mês do ano”, afirma.
A especialista acrescenta que a necessidade constante de escolher entre demandas profissionais e compromissos médicos demonstra que o bem-estar precisa fazer parte das práticas das empresas.
Brasil deve registrar mais de 78 mil casos de câncer de mama por ano
A importância do acompanhamento da saúde feminina também aparece nas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
De acordo com os dados atualizados para o triênio de 2026 a 2028, o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano. Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, esse é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras.
A mamografia é um dos principais exames utilizados para identificar alterações nas mamas, inclusive antes do aparecimento de sintomas. A indicação e a frequência do rastreamento devem considerar as recomendações de saúde e a avaliação individual, especialmente quando existem fatores de risco.
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O diagnóstico precoce também depende da atenção aos sinais do corpo. Caroços persistentes nas mamas ou axilas, alterações na pele, mudanças no formato do mamilo e saída espontânea de secreção, principalmente com sangue, são situações que merecem avaliação profissional.
Por isso, campanhas como o Outubro Rosa representam uma oportunidade para ampliar o acesso à informação e incentivar o acompanhamento médico, mas os cuidados precisam continuar durante todo o ano.
Cuidar da saúde também precisa fazer parte da rotina de trabalho
Para Patrícia Suzuki, os resultados da pesquisa reforçam que promover saúde e bem-estar nas empresas exige mais do que benefícios oferecidos ocasionalmente.
Medidas como flexibilidade para consultas e exames, organização de horários e incentivo ao acompanhamento preventivo podem contribuir para que as trabalhadoras tenham melhores condições de cuidar de si.
A discussão envolve também o reconhecimento de que a saúde não deve ser tratada como uma responsabilidade que a mulher precisa administrar sozinha, independentemente das circunstâncias.
Os resultados da Catho, embora se refiram às 478 participantes do levantamento e não representem necessariamente todas as brasileiras, ajudam a dar visibilidade a uma dificuldade presente no cotidiano feminino.
O Outubro Rosa reforça uma mensagem que precisa ultrapassar o mês de outubro: cuidar da saúde não deve ser o compromisso que fica sempre para depois. Afinal, o trabalho, a família e as responsabilidades fazem parte da vida, mas o cuidado consigo mesma também precisa encontrar lugar nessa agenda.



